As redes sociais: as notícias correm imprecisas

Não há convivência social e histórica sem agilizar a comunicação. Um olhar paciente sobre mostrar que é preciso conversar, observar os comportamentos dos outros, renovar costumes, anular tradições faz parte das mudanças, da necessidade de experimentar questões e fugir de certas amarguras. São infinitas as possibilidade de escolhas. Elas visitam memórias, criam futurismos, conservam dogmas. Não há como arquitetar transparências fixas, num mundo em que as sombras se misturam com as luzes e os filósofos pensam poder esclarecer verdades definitivas. As mentiras também se vestem, com ornamentos, enganam, convencem. Fica quase impossível traçar as fronteiras.

Apesar da busca de comunicação, a solidão não abandona o cotidiano. Há pessoas que guardam silêncios, se escondem com segredos estranhos, projetam-se como predestinados. Há fábulas, mitos, profecias. As apatias não deixam de marcar desejos, pois há niilismos radicais, imobilizações que adormecem sonhos de forma avassaladora. Mas os ruídos não desistem. Entram pelas subjetividades, compões contradições internas, facilitam tristeza ou empurram a vida para o acaso. Não dá para encontrar esconderijos inacessíveis. O outro está junto, com sua imagem nos olhos, provocando invejas ou trazendo afeto.

As redes bombam, como afirma a impressa. Há quem conte feitos de aventuras inéditas, consagrando uma felicidade que se expressa num sorriso charmoso. Há quem lamente perda, condene vizinhos, acuse partidos políticos, mostrem os desacertos de medidas do governo. Não faltam assuntos, temáticas e até mesmo metafísicas. A velocidade é polemizada e envelhece. Os debates exigem novidades, os sábios querem escutar elogios, o tempo configura geometrias estranhas. No meios das informações vadias, os divertimentos se apresentam e os parceiros tornam-se amigos.

Chegam tragédias, invenções, conflitos de toda parte do mundo. Tudo parece muito próximo. Ora estamos na China, ora em Paris ou na Etiópia. Curtimos as distâncias como nos agarramos em fantasias sem nomes. Tudo se entrelaça, sem que haja fórmulas salvadoras. Ganha-se, perde-se. A comunicação ajuda a diminuir o peso, a embelezar interpretações, a compreender a multiplicidade. A imprecisão faz parte, contudo, do chamado processo de investigação da vida alheia. Ser é não ser? Quem sabe? Os outros nos acodem, pedem socorro, perdão. A velocidade, contudo, consolida perplexidades contínuas.Para quê?

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