O Facebook: sentidos do mundo e do tempo

Vemos o tempo passando e corpo dando seus sinais. Não temos o controle das idas e vindas do tempo. Ele nos surpreende. Ideias rebeldes, vontade de ver a solidariedade firmar comportamentos, mas quem vence não se interessa por compartilhar. Fixa diretrizes, não se descuida do espetáculo, evita profundidades. O esquema de dominação, hoje, não intimida só o corpo. Ele atinge sofisticações que censuram desejos, escava o lugar dos sonhos. Na suas placas de sinalização, não importam as saídas do sufoco. O objetivo é conciliar, em nome da concentração de poder, no território das minorias. Portanto, um investimento na persuasão. Surgem, também, outros espaços de protesto. O silêncio não é geral.

Mark Zuckerberk, fundador do Facebook, afirmou: Mesmo que nossa missão soe grande, começa pequena: como a relação entre duas pessoas. A velocidade da comunicação no mundo atual transformou sentidos. A rede social que usamos, onde trocamos opiniões, fotos, alegrias, frustrações, músicas, encantamentos pode valer cerca de US$ 100 bilhões na bolsa. Muita grana. Toda revolução tecnológica parece simples no seus inícios e depois ganha uma dimensão inesperada. O capital simbólico faz parte dos negócios e as avaliações variam no ritmo das chamadas loucuras da  contemporaneidade. Produzem-se sentimentos e expectativas que não cabiam no século passado.

Portanto, já era se agasalhar com tecidos de ontem, pois não aquecem e estão fora do charme dos modelos badalados. Nem todos, contudo, pensam assim. Nem todos descartam a memória, renegam a experiência e mergulham no instante. Não há negar que os significados se abalam, sofrem metamorfoses que não conseguimos acompanhar. Não é estranho considerar que muita luz cega, muita pressa fabrica tropeços, fura a cartola do mágico. Observe como as informações correm e envelhecem. Segundo Paula Sibilia, no livro O Show do Eu, o valor do Facebook era de 15S$ bilhões, logo depois que entusiasmou os fãs da internet. Não esqueça que o Face era um hobby, seu fundador nem cogitava em fazer tal fortuna.

Tudo isso em pleno século XXI. Não estamos recolhendo dados acumulados, porém trabalhando com a cultura que vivemos, com o aqui e o agora. Nesses debates ou nos sustos, as lembranças de Walter Benjamin trazem reflexões. Basta analisar suas Teses sobre a História, seus alerta sobre a perda da experiência e morte do narrador tradicional. Por isso que a concepção de tempo é outra e busca do sucesso atrai multidões. De repente, as invenções entram nas celebrações diárias, derrubam os diálogos, isolam os indivíduos, cercam sua escuta e sua visão.

A velha questão entra na berlinda. Nem tudo significa desmantelo. Há lucidez, onde permanece a crítica, onde se cultiva a sociabilidades, onde a análise não se seduz, apenas, com a novidade. Concepções se modificam, as batidas do coração são controladas por máquinas, os ansiolíticos entram no mercado com força descomunal, a droga se adapta às circunstâncias e expande o chamado crime organizado. A privatização dos espaços púbicos é a outra face de uma crescente publicização do privado, um solavanco capaz de fazer tremer aquela diferenciação outrora fundamental (Paula Sibilia).

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