As ressacas do domingo e o olhar de Freud

Domingo é um dia de muitos simbolismos. Não importa que haja trabalho e as mercadorias se movam sem acanhamentos. Não há aquele silêncio de outrora. Os automóveis se recolhem sem convicções maiores. Há compras urgentes. O conteúdo dos divertimentos ganhou espaços nos cartões de crédito e nas lojas frias dos shoppings. O futebol possui um carisma presente, agora, com a violências das torcidas e jogo de acusações políticas atuantes. O projeto da Copa prossegue lançando dissonânicias, pois a pressão da Fifa irrita o governo e desloca interesses milionários. Beber ou não beber, eis a questão, sem garantias de espetáculos empolgantes. O lucro ditas as normas, sacode os negócios.

A ressaca do domingo é comum. Saudades do trabalho, ainda, deixam intranquilos os ansiosos. A conversa corre solta. Os comentários animam a preguiça e evitam certas olhadas na TV. Finalmente, o Big Brother terminou. Era o  assunto soberano. Havia paixão na escolha dos vencedores, análises psicológicas do desempenho de cada um e nostalgias vazias. O programa tem  um poder de mobilização assustador. Não é à toa que Pedro Bial não solta a liderança das apresentações. Está longe daquele seu antigo perfil, porém mostra entusisamo, massifica o discurso, satisfeito com a audência e indiferente às críticas. Elegeu outras trilhas para consagrar suas pretensões.

Lula volta. Aliás, nunca se foi. O auge da sua doença não o afastou dos cenário polêmico das disputas. Mas agora se considera mais livre, com o fim das expectativas sombrias. O PT espera, com isso, resolver suas divisões. Há controvérsias São Paulo e no Recife. Ninguém sabe como as soluções serão encontradas, contudo as divergências são grandes. Observem Marta, Humberto, João Paulo, João da Costa, Dirceu  e outros. Parece que tocaram fogo nas ambições e o bombeiro Lula promete diminuir os estragos. O pragmatismo insiste em coordenar os projetos, não tem jeito.

O domingo é dia das fofocas extensas e buliçosas. Não custa imaginar situações, curtir o facebook, ativar relações adormecidas, conciliar-se com os papos nos celulares de forma mais vagarosa, traçar planos, agendar a semana, lamentar contratempos, ver bons filmes, encontrar-se com amigos inesquecíveis. As opções crescem e o domingo configura outros olhares, enquanto a segunda-feira não chega. Nos tempos pós-modernos a vida urbana se veste de tecnologias que condicionam lazeres. A família perde sua centralidade. A velocidade sugere que é preciso superar preconceitos, esquecer crenças antigas e desfrutar o simultâneo.

Difícil comparar o que foi vivido, nas épocas em que os meios de comunicação, ainda, engatinhavam com o que as máquinas trouxeram para renovações dos costumes. Há quem acredite no progresso, sem ligar para os desmantelos éticos. Exaltam as descobertas, o conforto, o descartável. Memórias e histórias não firmam exatidões. As incertezas possuem moradias, não adianta costurar as máscaras e festejar o ócio que não é mais filosófico. Há muitas coisas para pensar, mas hoje é domingo. Todos precisam de uma respiração mesmo administrada. Quem quiser criar suas fantasias, não se intimide. Freud abençoará os neuróticos mais destemidos.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>