As revoluções adiadas, as escolhas indefinidas

A sociedade não consegue se equilibrar como desejam os mais otimistas. Criam-se utopias, as harmonias são cantadas, mas os conflitos firmam doutrinas e as instabilidades queimam corpos. Não há um mundo sem diferenças e elas trazem contrapontos. Há quem feche os olhos, trave as portas e deixe tudo se arrumar por encanto. Não se pode negar que os mistérios andam por aí. Se os movimentos não provocam mudanças, apenas festividades vazias, a política se torna um divertimento. Fala-se no jogo do poder. Não é sem sentido. As concepções flutuam como mandamentos efêmeros.

Houve a época das grandes revoluções burguesas. Respostas dos socialistas acontecerem. O capitalismo passa por crises, porém se segura e segue adiante. Globalizou-se, com as bolsas de valores fazendo sucesso e a China produzindo quase como senhora do mundo. Autoritarismos fracassaram, em muitas situações, sem afastar práticas que definissem socializações. Os fascismos navegam no cotidiano, se escondem em seitas, em discursos ditos da ordem. Quem faz política disfarça, quer possuir máscaras e ilusões?

No meios da tantas teorias, as certezas mostram-se tontas. Não adianta retomar linearidades. O mundo se sacode e sobram desconfianças. As tecnologias ajudam a montar os espetáculos e fortalecer os individualismos. A procura do outro é, muitas vezes, atravessada por interesses. O afeto é uma troca mercantil? Por onde andam as possibilidades de reconciliação com os sonhos revolucionários? A mesmice é uma ameaça que não descansa e as mercadorias ornamentam os quartos escuros e as promessas de amor.

Somos todos refugiados. Não significa que a pobreza seja distribuída e atinja a todos. Somos sujeitos de fugas, não só materiais. Na complexidade, é fácil se perder. As fronteiras caem, às vezes, porque a inquietação provoca rebeldias. As instituições não conseguem construir sociabilidades que aliviem as tensões. Os controles são feitos por minorias que imprimem seus privilégios sem cerimônias. O caos aparece em avaliações de especialistas. Não há exatidões nas histórias. Elas se abastecem com memórias que brincam com esquecimentos e lembranças.

Não sei se meu espelho está desfigurado. Uma sociedade, que se nutre da competição e da venda de armas, amplia conversas doentias. Não faltam farmácias, nem drogas de espécies variadas. As terapias trabalham com cores, formas, números, silêncios, divãs e solta grana. São as artes do inesperado. O futuro é , sem dúvida, um enigma que assombra. Quem conta as aventuras do passado e envolve-se com as nostalgias como salvações arquiteta labirintos sem saídas. É preciso desmontar algumas coisas e desmanchar as imagens congeladas. Eliminar os pontos finais.

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