As rivalidades não cessam de aquecer o cotidiano

 

Na pressa costumeira, as notícias enchem jornais com novidades frequentes. Muitas invenções, filmes de bilheterias afortunadas, separações de astros consagrados, negociações sobre as instabilidades no câmbio. Não cessam as rivalidades. A competição tem um amplo lugar, quase inquestionável, em regiões e cidades.Vivemos sob a hegemonia do capitalismo. Seria estranho haver sossego contínuo.

Não sei como Deus assiste a tudo isso. Suas criaturas procurando se enfrentar, a cada momento, de olho nas oportunidades dos outros. A educação forma, renova conhecimentos, mas os signos da violência e da inveja se mantêm. Se Deus não gosta dessas disputas, deve ter aborrecimentos constantes. Não era assim que pensava a sua invenção maior. Mas até as religiões possuem suas dissidências.Há quem desconfie da própria existência de Deus. Há os que defendem o vazio, o absurdo, o niilismo.

Muita conversa que daria tratados imensos. Não custa lançar questões. As guerras se fizeram presentes de forma assídua no século XX. Os motivos são variados e as amarguras consolidam ressentimentos. As guerra mundiais foram cenários de horrores. Não há nem lembranças de fraternidade que consigam fazer esquecer tantas máquinas voltadas para eliminação. No campo simbólico, também se testemunham discórdias fatais. O que significam Oriente e Ocidente? Por que tantos colonialismos e arrogâncias ? As hierarquias perduram justificando escravidões disfarçadas.

Queria ressaltar como as rivalidades entram nos grupos. Falta muito para que o afeto tenha sua soberania. Talvez, seja uma utopia que alimente a vontade de não sufocar a esperança. Não simpatizo com a idéia de uma natureza humana. Seríamos egoístas para sempre? Não há como visualizar a mudança? As pedagogias estão fracassando? Infelizmente, a energia negativa não se esconde. Faz vítimas, às vezes, com rituais macabros.

Oa valores se transformam, porém permanecem comportamentos. Alguns que retomam tradições de comunhão, outros que ressuscitam violências. O mundo se balança. Suas tempestades são fortes e aprofundam mágoas. Mesmo lamentando não há como desistir. Nem todos, atiçam a competicão, nem se promovem com as divergências. Há quem procure quietude, quem conviva com as diferença, sem traumas.

Nesse final de semana passado, os esportes estiveram em evidência. Eles merecem atenção pela representação que produzem das relações sociais. Ensinam  e concertam. O Brasil perdeu, no vôlei, de maneira dramática. As  meninas barsileiras não aguentaram a paciência das russas. Uma lição de que o jogo não se resume à qualidade técnica. Na fórmula 1, a Ferrari sucumbiu, para alegria de muitos. Os éticos comemoraram a queda de Alonso.

A discussão sobre a ética retorna, quando se fala em disputas esportivas. As malandragens distorcem e visam o sucesso. Não interessa o caminho. A celebração da ética é um ato importante. Não devemos elogiar a falta de limites, as ansiedades acumulativas do capitalismo. Nesses debates, falta a contextualização, falta se interrogar sobre as tantas repetições de tramas tão medonhos. Prevalece um olhar na superfície.  Há  vencedores torcendo pelos lucros. Sobre eles se conversa pouco. A força da propaganda é avassaladora e cerca a ética com ferocidade, em muitos casos. A disputa pode também não significar o caos.

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