As simpatias fascistas

                                         

A democracia foi adulada e proclamada como a saída para todos os males. Nunca se definiu com certezas a democracia. Havia sempre o vacilar ou o esperar milagres. Pensei sempre sobre o que poderia ser democracia. Não aponto, aqui, razões indiscutíveis. São meus pontos de partido, o trapézio que me balança. Não abandono o sentimento de solidariedade. Somos animais sociais e o egoísmo traz a derrota. Quem não coopera se perde em narcisismos doentios.

Também não compreendo a desigualdade tão espalhada pela globalização. Há saberes que justificam culturas e desenham hierarquias. Abrem a porta para o autoritarismo e mantêm memórias da escravidão. As colônias ainda existem, como também as imposições de modas. O imperialismo não se foi e as superioridade cantam racismos violentos. Há suspeitas que são incessantes.

Não é sem razão que as simpatias fascistas aparecem. Há brutalidades e milícias ativas, com milhões circulando e construindo um capitalismo dito clandestino. Não sei quem atrelou os Estados Unidos aos encantos da democracia. Parece que esquecem como as intrigas se formam e as corporações estendem seus mesquinhos poderes. Oprimem com cultos ao consumo e espetáculos vazios. Estamos repletos de pontos de exclamação até nos jogos que divertem as crianças. Desenganos ferozes que espalham ditaduras que lutam contra resistências permanentes.

A volta das simpatias fascistas remete a governos proclamados messiânicos. Arquitetam-se discursos negacionistas e sabotam a lucidez. Há algo de tosco, gracejos vadios, mas milhares de pessoas são seduzidas e criam ídolos. Mussolini já se foi.  Os tempos possuem atualmente outras sofisticações. Quem não se recorda das mentiras de Trump ou das sandices de Jair? A sociedade se desencontra, não observa que a democracia tem vestes de utopia. Os futuros continuam com máscaras e o desamparo se liga em figuras que inquietam e brincam de donos da ressureição. Instabilidades visitam até mesmo o Capitólio.

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