As tecnologias reinventam o social

 

Os boatos circulam assustando a população. Possuem um rapidez indescritível e traduzem ameaças. Isso tem acontecido em São Paulo e ninguém sabe suas origens. No entanto, agitam violências e provocam medos. Há ameaças de morte, perda de segurança frequente. Tudo chega pelos mecanismos tecnológicos dos celulares, os mesmos que ajudam a aproximar afetos e refazer conversas. O mundo fica confuso, porque os valores não conhecem territórios definidos e impedem reações de rebeldia. Parece que há um soltura que decompõe o social.

As grandes cidades tornaram-se armadilhas. É difícil cruzar uma avenida, propor um encontro, se lançar nas corridas cotidianas. Há sempre suspeitas. As paisagens áridas, tomadas por cimento e edifícios gigantes, deixam a perplexidade se firmar. Quem esperava a liberdade plena se quebra. As invenções humana fortalecem a cultura? Uma pergunta que não cessa de nos incomodar. Não podemos viver sem buscar preencher lacunas, mas as frustrações existem e a neutralidade é uma emboscada.

As utopias da modernidade arquitetaram muitos sonhos. O futuro significaria um distanciamento dos conflitos e possibilidades de aumentar solidariedades. A dubiedade, porém, não se foi. A história não deve ser contada sem que as pedras sejam retiradas do meio do caminho. A criatividade não se espalha à toa. Ela tem donos, não corteja gratuidades. As tecnologias movimentam a cultura. Salvam vidas e fermentam conflitos. Por isso, as teorias se misturam com horizontes sombrios. Interpretar é traçar coragens e riscos.

A reinvenção do mundo multiplica alfabetos. Quando as religiões exerciam poderes quase inquestionáveis se insistia na força do juízo final. Hoje, as religiões entraram no espaço de negócios, brincam com valores de trocas, mas não deixam de provocar anseios de salvação. As dúvidas sobre os destinos do bem e do mal se estendem, pois o sentido da história é uma geometria de curvas invisíveis. Muita coisa nos declives das caminhadas e o tempo da reflexão tomado por contas e descontroles. A razão lembra a magia, pouco esclarece ou deduz. Há rituais que ocupam esquinas e botecos.

Arrumar os sentimentos, alargar as saudades, conjugar afetos, dominar desesperos. As drogas procuram diminuir as aflições, porém trazem outras mais profundas. Não paramos de reinventar sem conseguir pacificar as ardências do coração. Tudo representa sinais que não possuem leitura flexíveis. Escrevemos o texto para tentar decifrar as vacilações do fôlego. O corpo desenha marcas, produz dores, exige estéticas. Talvez, queiram que nos tornemos adivinhos. O labirinto da incompletude não abandona as aventuras humanas. O olhar não é espelho fixo, registra desamparos e descontinuidades.

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