O tempo desfigurado

Vejo o tempo coberto de cinzas, sem fixar datas , nem profecias.

Notícias correm registrando mortes anônimas e desesperos universais,

mas o espetáculo continua, registrando escândalos e artifícios enganadores.

Há um desencanto que esconde o fim do sagrado e

a profanação de todas as verdades e de todas as tradições.

As ordens desfeitas teimam em  desaceitar o instituinte,

procuram silêncio nos fascismos contemporâneos e sofisticados.

Quem mede as lutas com a coragem registra o transtorno

das hipocrisias que não cessam de firmar emboscadas.

A leveza se foi no tapete mágico que se livrou do inferno,

a história conta o que não houve e coloniza a possível rebeldia.

Ulisses desiste de ouvir o canto das sereias e navega sem rumo definido,

sinto que a aventura desbotou as cores e o paraíso desabita a imaginação.

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