As tensões não se apagam e firmam medos

Boas lembranças trazem as utopias. Melhor ainda as certezas de que o progresso avançaria e desfaria as desigualdades sociais. As garantias se enfraqueceram, diante dos desacertos contínuos, e a dúvida inibe até os sonhos mais tímidos. Descartes consultaria um psicanalista, delirando com a extensão das ambiguidades. Quem sabe se não se tornaria um viajante articulado, no desenho do drip, e não moveria mais sua razão em busca da clareza?  É uma especulação e não, uma ironia.

Escrever não é escravidão. As pesquisas existem para descolar a  imaginação. Um aprendizando de liberdade, com traços que anulam  verdades, antes, inatacáveis. Por isso, o exercício do jogo das palavras é um ensinamento. Muitas regras descortinam, às vezes, impasses. O texto se aprisiona nos pontos finais e legitimamos as aparências. O mundo se apresenta com desconfortos. Não se aquieta com as ilusões e não dispensa as drogas. Cada época se entrete com suas fumaças, seus líquidos e seus pós. Os contemporâneos não se desviaram desse hábito.

O desejo de encerrar as tensões não desapareceu, como também o uso da violência para demanchá-las.Comportamentos estabelecem reações que amedrontam. Voltando à crise do Corinthians, tão dominante, na imprensa, vemos a violência disseminada, onde deveria haver diálogo e crítica. É preciso ação, mas derubar portões, machucar jogadores, intimidar técnico, desmonta o eixo que move os esportes. Houve manipulações e cabe resposta. Há irresponsabilidades na gestão do futebol. Combatê-las é fundamental.

A confusão se multiplica, pois acordos existem para simular alegrias. Quando o fracasso se mostra, então as lamúrias se acedem. Entrevistas, protesto na internets, pessoas nas ruas vivendo suas raivas. Para quê? Quem estimula essas desavenças ou prepara a atmosfera para essas possíveis frustrações? Se a violência contamina, o cinismo também. É só a torcida que espalha seus desequilíbrios? Ou se ampliam os atores e suas encenações? Tudo termina no paternalismo de sempre ?

O medo e o desamparo permanecem no mundo. Os relatos religiosos não escondem atritos que envolviam a humanidade com outros objetivos. Zeus não respeitava seus companheiros e fazia valer as suas ambições. Os governantes atuais se julgam quase deuses. Sarney se perpetua no Congresso, cercado de alianças com forças políticas diversas. Talvez, haja dificuldade para acomodar a ética em espaços de calmaria e encontros. Inventamos modelos que não suportamos e nos assombramos com suas solicitações cotidianas.Tudo está ligado a tudo, todas as histórias se encadeiam a todas as demais histórias ( Paul Auster).

Seria o esboço de uma explicação para as relações que povoam nossas andanças ou uma síntese de uma verdade acidental ? Que tal soltá-la nos e-mail anônimos e convocar os piratas da informática para desfraldá-la intensamente ? Mas pode parecer, para muitos, um inconsequência ou uma brincadeira de escritor. Os absurdos não estão ausentes do mundo. Os convencimentos sofrem suas fragmentações, pois há muita coisa que não sossega. Os travesseiros não acomodam todos os sonos. Há espinhos que furam os leitos e noites sem silêncios definidos. Não posso me aconchegar se a tensão se assanha na TV do vizinho?

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