As tensões norte-americanas visitam o mundo

As disputas eleitorais criam instabilidades, mas ajudam a desvendar situações. É  histórica a diferença entre democratas e republicanos nos Estado Unidos. Marca a política internacional e forma grupos de pressão atuantes com interesses definidos. As repercussões espalham-se, pois o mundo se mexe. A força do jogo de poder, na aldeia global, é cada vez mais complexa. As mudanças econômicas estão pedindo passagem. As resistências conservadoras não querem ceder espaços. O capitalismo tem versatilidade, não se retrai com as crises. Busca ilusões, vende imagens de que tudo passa. Cola com a ideia de que a democracia só existe quando os negócios fluem sem atropelos.

A modernidade vestiu-se com as explorações, apesar de todas as manobras para disfarçar e exaltar a sociedade de consumo. Os velhos tempos sempre assustam, ninguém se esquece de exigir autonomia, quando se sente no sufoco. Os Estados Unidos simbolizam não só força militar, mas também vaidades de governos que impõem modelos de comportamentos. Conseguiram firmar lugares políticos, tiveram suas oscilações, vivem momentos inquietantes. Nem por isso estão na beira do abismo. Assistem às transformações procurando reagir, retomar espaços, não se intimidarem. Sabem que as crises, muitas vezes, levantam questões que podem auxiliar nas saídas dos impasses.

As expectativas crescem. Não há destinos nas histórias, embora algumas tendências prevaleçam.  Numa disputa grandiosa, assuntos como guerras, imperialismo, preconceitos culturais ganham corpo. Muitos conflitos se sucedem. Expressam desavenças religiosas, choques de planejamentos econômicos, expansão da indústria bélica, ressentimentos vindos do passado. Os Estados Unidos têm sido atores básicos. Não sossegam, perdem prestígios, acumulam ódios, porém há quem admire suas agressividades e suas estratégias de vencedor. Há frustrações que permanecem. Uma parte expressiva da sua sociedade já não se satisfaz com a  violência externa. As lembranças do Vietnã são fortes. Nem todas as invasões mostram sucessos. Provocam tensões constantes.

A eleição retoma rivalidades. Obama e Romney apresentam projetos dentro dos mapas do capitalismo. Ninguém aposta num reviravolta mágica. Seria avivar uma ingenuidade que não se justifica. Apesar de tudo, possuem certos caminhos de mudança de rota. Seguem algumas histórias do passado norte-americano, com cores modificadas ligeiramente. A sociedade não é o do século XX, nem os interesses se mantêm com propósitos de épocas de glórias inesquecíveis. Há linhas que não podem ser ultrapassadas. Por isso os debates, os discursos recheados de armadilhas, a ausência de uma transparência reveladora. O jogo da política é feito na sombra, baseado em pesquisas constantes e sinuosas.

As ambivalências não representam novidades. A vitória dos democratas trará planejamentos que animam os mais liberais. Não há garantias. Obama, se eleito, não possui a autonomia que uma democracia aberta deveria afirmar. As pressões compõem um quadro de figuras que circulam para não perder mercados. Os Estados Unidos conversam com o mundo, sabem o que significam. Com a tecnologia nos trazendo informações frequentes, tudo fica muito próximo. Temores, tensões, divergências, esperanças. A história não é sossego, porque não há como preencher as lacunas e afagar o absoluto. Os vazios não se escondem. Gostam de desenhar incômodos.

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2 Comments »

 
  • Silvana Galvão de Aguiar disse:

    Os discursos políticos da pós modernidade nos assustam, caminha para mecanismos de controle social, faz um discurso “transformador”, “libertador,” porém permanece com a mesma prática conservadora… Fim das metanarrativas, não há garantias de mudanças e sim de permanências.

    Excelente texto, obrigada por me propiciar novas leituras.

  • Silvana

    Continaum as grandes distâncias entre a teoria e a prática.
    abs
    antonio

 

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