As travessias de Neymar: fabricações da fama

 

 

Neymar traçou um destino. Lançou-se numa aventura promissora.  A grana corre solta. Internacionaliza-se, busca vitrine e paixões globais. Aparecer é a palavra de ordem, mas a vida não é nada linear. Quando ele tropeça se lamenta e torna-se vítima. Não falta quem o julgue um gênio da boa. Não nego que joga muito. Lembro que Pelé estava em 1958 fazendo firulas, quando havia saído da adolescência. Houve mudanças. O futebol virou uma multinacional com circulação ampla de negócios. Lavagens de dinheiro, denúncias, máfias especializadas, dirigentes desequilibrados, imprensas desavisadas. Ainda bem que a história ousa estragar versões, apenas, superficiais. Há buracos e muros.

Os craques, de antes, não curtiram as vantagens de hoje. A esnobação atual cria muita antipatia. Neymar caiu nessa rede tão pantanosa e mesquinha, com privilegiados cercados de assessorias. Gosta de simulações, anda com companheiros da infância, não deixa de vestir-se na moda, costuma mover invejas,  sente-se Narciso. Seu caminho não [e fácil como deseja. Está sendo detonado, consegue chatear Galvão, porém encontra ampla proteção de Tite. Eles consagram-se com vendedores de produtos, desfilam nas propagandas, comungam certas parcerias. A mesmice atiça o vazio da mercadoria.

A Copa do Mundo sacode preconceitos e traz a opinião de culturas diferentes. Muitos interesses misturam razões e cobram comportamentos exemplares. Esquecem que os astros do futebol querem acumular famas, disputar espaços. no entanto há quem  se contamine mais que os outros. Messi não é Cristiano, Coutinho não é Harzard, Iniesta não é Otamendi. As medidas desenham geometrias infinitas e curvas flasificadas. Neymar não sossega. Talvez,  não perceba que a terra gira para todos os lados que provocam queda e constroem labirintos. Firma-se como simulador e atinge o cume das manchetes. Há um espelho arranhado em cada esquina que denuncia as imagens fabricadas.

O futebol me atrai, porém as vaidades me incomodam pelos excessos e hipocrisias. Pode-se ser uma craque, sem precisar de arrastar estrelas sombrias ou se banhar de perfumes. Nem conheço Neymar e sei que os encantos do luxo animam e enlouquecem. Quem chora fixa alguma dor, não observou o sinal tenso, conviveu com frustrações inesperadas. Torço pelo Brasil. Aprecio o futebol, a arte de tocar a bola sem menosprezar os outros. Futebol exige foco, mesmo com toda a festividade que existe. Os descontrole do mundo é geral. Há um trapézio sem rede que assusta e tumultua,um pacto da sorte e do azar num mundo profetizado pelo pecado original.

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