As travessias instáveis e contemporâneas

Quem desconhece a história, com suas acrobacias, morre louvando as determinações. Existem permanências seculares, mas há sempre espaços para transformações. A história se costura com a multiplicidade, embora existam teorias que procurem exaltar a quietude. Saber a origem de tudo isso é impossível. Muitas lendas e mitos, muitas religiões e filosofias, porém sobram dúvidas e incertezas. Seguimos travessias que não garantem chegadas. Talvez, a história seja um longo caminho sem ponto de partida e  nem sentido definido. Corre-se o risco, apostam-se em retornos, visualizam-se revoluções.

Não se assuste com as contradições, nem com as dissonâncias. As sociedades possuem desigualdades e preconceitos que devem ser combatidos. Se há conformismos, há também rebeldias. Muita gente navega pelos mares da ingenuidade, outros buscam as astúcias e não abandonam o oportunismo. No entanto, as escolhas nos chamam, pois a indiferença é uma grande farsa ou uma máscara esperta. As épocas tocam seus ritmos, sem desprezar memórias e tradições.

O capitalismo continua sua trajetória e não dispensa suas crises. Tudo termina se resolvendo, com planejamentos e jogos obscuros nas bolsas de valores. Não há como se enganar. O capitalismo se mantém cultivando privilégios, jamais irá universalizar as riquezas. É o governo das minoria que usa artifícios e discursos tecnológicos para mostrar que o mundo vai bem e que as lamentações devem ser evitadas. A aldeia global se comunica, troca experiências, porém não abandona os preconceitos e as hierarquias opressivas.

As notícias de guerras, de epidemias, de manipulações eleitorais, de ditaduras religiosas não saem dos jornais. A democracia é sempre lembrada. Continua como registro utópico. Há segregações, misérias, exílios. O fetiche da mercadoria movimenta o ir e vir escorregadio da cidadania. A política configura seus espetáculos, crias seus fantasmas, se veste de propaganda e anúncios quase religiosos. Não se acanhe. As dificuldades de transparências são comuns. As sociedades não sacodem fora seus mistérios.

Não é a toa que as instabilidades se instalam. Conversar sobre verdades e segurar a garantia de futuros éticos fazem parte do cotidiano. Ninguém joga no lixo, repentinamente, as fantasias. Por isso que os tempos se tocam e se parecem. Os amores, os medos, as ousadias estão na história. Eles refazem suas formas, contudo as saudades não desistem, nem as frustração desapareceram. Vivemos entre permanência e mudanças. A contemporaneidade firma suas singularidades, sem fugir de pesadelos e sonhos que despertam travessias do passado.

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