O crepúsculo das cores: as perdas, os jogos, as incertezas

Dizem que as cores têm vida. Não só as cores. O mundo manifesta-se de várias maneiras. As cores desenham símbolos, parecem visitar as intimidades do eu. Já pensou as coisas sem cores ou as pessoas empalidecidas para sempre ? O que é lugar comum termina provocando indagações. Nem sempre,  nos ligamos nos sinais do cotidiano. Vivemos uma cegueira disfarçada.

Na multiplicidade  dos olhares, vamos focalizar os tricolores. Aqueles apaixonados por uma certa combinação de cores, para eles quase sagradas. Como estamos, no futebol, temos que ser, mais ainda, seletivos. A conversa será sobre os desandares do São Paulo, Santa Cruz, Grêmio e Fluminense. O jogo está além das vitórias e derrotas. Formula sua pedagogia. O seu fascínio não possui limites claros. 

O tricolor do Morumbi era o poderoso. O cristal que chamava  à  atenção. Parecia uma fortaleza.  Tinha começos vacilantes, mas logo garantia o seu lugar de campeão. Boas foram as épocas  de Telê e Muricy. Nem sempre, um grande futebol, porém o resultado apagava as desarmonias. O São Paulo mostra-se, hoje, desorientado, depois de pensar um projeto de glórias valiosas.

O Santa Cruz é foco de gozações criativas, para seus adversários, e irritantes , para sua torcida. Ela é ruidosa, renega a apatia do time. Preparou-se para sair do sufoco, em vão. Não faltou agitação, orações e dirigentes acudindo a Cobra Coral. Sua última aventura tumultuou qualquer coração. Apenas, uma terapia demorada pode administrar tanto desmantelo. De nada valeram as fantasias de Brasão. Ele venho não sei de onde e vai não sei para onde. A presença da 50 mil pessoas, no Arruda, não alterou o empenho dos jogadores.

O Grêmio  organizou-se para um longa fase de festas. Nada feito. Quem comemora é o seu rival maior, o vermelho e branco Internacional. Silas não conseguiu estruturá-lo e já está no comando do Flamengo. Seus admiradores são exigentes e reivindicam raça dos jogadores. A última derrota, para o Palmeiras, aumentou o desconsolo do tricolor gaúcho. Onde sacudir tanta frustração? Quem silencia ?

O Fluminense estava deslumbrando platéias. Vagava sem atropelos. Muricy, feliz, reencontrava-se com a possibilidade de títulos. Queria curar certas mágoas. Arquitetava planos para ser exaltado, como treinador singular e ardiloso. O tricolor das Laranjeiras não disparou como se esperava. Cai, lentamente, na fogueira das vaidades.

Muitos infortúnios causam perdas e desânimos. O futebol lembra uma gangorra.  Os tempos tergiversam, as surpresas não fogem. Os clubes e as vidas se constituem, também, desses desencontros. O que castiga o sentimento é a mistura das cores. Buscam-se explicações para as desmontagens, mas nem sempre elas ajudam a levantar o equilíbrio. Abandonar uma paixão é risco sem cálculo.

De repente, as coisas se ajeitam, a nitidez da bandeira brilha e tudo volta a ser alegria. As andanças do lúdico costuram loucuras e aquecem sonhos. O desmoronar faz parte da trama da cultura. Quem pintou a perfeição descansou, no sétimo dia, e desistiu da eternidade. Filosofa sobre as contradições do cosmos. As cores do crespúsculo não são, sempre, o avesso do amanhecer. Os espelhos da alma definem os quadros de cada instante.

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4 Comments »

 
  • Pandora disse:

    Ai, vida de tricolor não é fácil, sinto que os tricolores do Arruda, silenciam com o peso dos últimos acontecimentos, mas ano que vem tem mais e a esperança é um sentimento teimoso e nós temos ela em excesso, parece que nascemos com a firme crença que de repente a nitidez de nossa bandeira vai brilhar e reencontraremos a alegria da vitória.

    Idas e vindas, ganhos e perdas, vitórias e derrotas fazem parte da vida e o futebol é como a vida, cheio de surpresas… Já já o Fluminense retoma sua tragetória de vitórias e o Santa quem sabe consegue sair desse buraco no qual se enfiou e parece que nunca mais vai sair!

    Beijos, Boa Semana Antônio!!!

  • Cara amiga

    As coisa mudam em tudo. Nada é absoluto.
    abs e tudo de bom
    antonio paulo

  • gleyce da paz disse:

    Antonio,
    tb padeço do sofrimento dos tricolores. Ganhamos esperança,uma muitidão renovou as espectativas, no entanto, fomos alvejados por uma derrota e o possível recomeço foi barrado. Ainda, sentindo a dor da ferifa aberta, a torcida prefere a distância, escuta as brincadeiras e aguenta a ironia. O futebol, infelizmente, não é feito apenas pela torcida, pois se não seriamos líder da série A.
    abraço
    Gleyce da Paz Neta

  • Gleyce

    É uma incerteza dolorosa. Mas o jogo é uma gangorra. Possui magia.
    abs
    antonio paulo

 

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