As utopias se arruínam ou se reinventam?

 

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A busca do progresso fermentou projetos  que prometiam felicidades eternizadas. Apostava, de forma articulada,  que a sociedade fugiria das desigualdades. Acreditava-se numa grande revolução tecnológica. Houve euforias. Mas a ideologia do progresso pareceu frágil. Um festival de ilusões passou a desfilar e as explorações continuaram acontecendo. As falsificações mantinham divulgações nada saudáveis. A sociedade  negava suas doenças mais agudas. As bombas atômicas alertaram para o peso de violência de uma crueldade assustadora. O stalinismo trouxe pânicos. Muitos marxistas ficaram perplexos com os crimes, as intolerância, a sede de poder. Muitos liberais acenaram para fim das utopias e cantaram o êxito da agilidade capitalista.Será que há lugar para mudanças bruscas, reformulação dos valores, paraísos de igualdades sublimes?

Dúvidas refizeram teorias, minaram partidos políticos, intimidaram rebeldes. Faltam olhares para o passado e muitas profecias que encenam um futuro.As tecnologias ajudam o crescimento das riquezas concentradas. Não significam o reino do mal. Seria um erro destruir conquistas científicas, porém é preciso cuidados. O progresso manteve  desgovernos. Arquitetou enganos num meio de um sociedade repleta de fundamentalismo. Foge-se para o delírio das drogas, o desamparo se amplia, o velório dos sonhos ganha espaço junto com apocalipses radicais.  Portanto, estamos na berlinda, atravessados síndromes  mortais. Não subestime o que parece mínimo. As ousadias surpreendem a  quem se entregava ao fogo dos infernos.

Navegamos num barco de ruínas, sem mares parceiros, com estragos perversos e sereias que se foram para outros lugares. Não há, contudo,a morte da fantasia. Elas continuam. Certas utopias se enfraqueceram. Voltam preconceitos, armadilhas danosas, governantes idiotizados pelo poder. Não analisar o passado e um escorregão que distorce alternativas A crise não  é uma cria da contemporaneidade. Visitaram as guerras religiosas na Europa? Lembram-se dos colonialismos modernos? O militarismo romano não dizimou culturas? O iluminismo sacudiu pensamentos, o romantismo tocou na sensibilidade, os anarquistas celebraram a força da autonomia. Houve agonias e respostas. Não cessaram as ambiguidades , nem os trapézios astuciosos.

As reinvenções não desapareceram. Não há história sem buscas, mesmo que as intrigas inibam convivências amistosas e o terrorismo invada cotidianos. Permanências e mudanças devem  ser avaliadas. A história  não é uma travessia linear. Quem não se dá conta dos labirintos? Pinochet abalou a política que defendia o socialismo e lutava pela divisão das conquistas materiais. Não esqueçam de Freud, Picasso, Chaplin, Mia Couto… Se as crises inquietam e destronam otimismos, a capacidade de transcendê-las não desapareceu. O astral se encontra sobrevivendo, penosamente, e pulando abismos. Há ruínas.Elas não se firmam como absolutas. Há insatisfações e desejos. O desafio é suportar as contradições e compreender  o saber da solidariedade que não se desfaz. Há ilhas e necessidade de ocupá-las, desde que a intolerância sucumba.

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3 Comments »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …e chegamos aos dias que sucedem 2019, logo, a reflexão: será que “o velório dos sonhos ganha espaços com apocalipses radicais”? Será que a profecia bíblica se manifesta neste momento, com a eleição da besta-fera, trazendo na sua cabeça o nome de blasfêmia e o número a identificá-la, o terrível 666? Seriam os ministros, os bizarros cavaleiros do apocalipse, prontos para proferir o juízo final da nação brasileira? Em seu ato principal, a venda do mal travestido como um esforço coletivo necessário, publicizado na forma e no discurso de reforma da previdência, onde apenas os pobres e miseráveis seriam sacrificados e ninguém mais. O escatológico se manifesta e contra ele nada mais poderá ser feito? Será que as massas serão instruídas por anjos vingadores, ensinando como manejar espadas para corta a cabeça da besta, dos filhos dela e de seus fiéis cavaleiros, adoradores e seguidores? Esta pequena matança garantiria por si só a voltada do Estado democrático de direito, usurpado não só pela besta, mas também por outros membros do legislativo, do executivo e do judiciário? Quando veremos surgir uma nova ideologia pautada nos efeitos do socialismo científico do século XIX, a clamar que a luta se faz necessária agora, que as esperanças agonizam, mas ainda não morreram, não foram sepultadas. E assim, os sonhos de 2019 precisam ser creditados como possíveis, pois a história mostra que o caos nem sempre é o fim e pode significar um novo começo, com positividades e negatividades como toda temporalidade outrora já estudada, discutida e analisada…

  • Artigo primoroso, expressivo e bastante oportuno. Parabéns ao articulista.

  • Mui grato
    abs
    antono

 

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