O caso Moro: As múltiplas informações e os desafetos

 

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Quem pensa que pode implantar o paraíso? São muitas informações circulando, todas cercadas de valores e de muitos sentimentos esvaziados. A razão não é nunca soberana. Isso não impede que evitemos fanatismos e não  guardemos velhas carências nos jogos da política. Os valores se inquietam e alimentam as controvérsias históricas. A sociedade não vive paciente e sem ansiedades. Quem conhece o passado não nega que as lutas continuam andando e perturbando. Não há homogeneidade, mas embate pelos poderes que confirmem soberanias e consagrem práticas opressoras. Os desamparos se sucedem aceleradamente.

As chamadas revoluções tecnológicas impuseram comportamentos e renovaram seduções. A sociedade sente o sufoco de tantas teorias, interesses, buscas urgentes. Há diferenças entre as épocas históricas, porém não custa consultar a memória e analisar as permanências. Somos animais sociais com tensões que não param. Hoje, assumimos pressas, pedimos respostas imediatas. Concretizam-se espaços de cores nunca vistas. Não é novidade que tradições se quebrem, que as pessoas mudem seus lugares, que as relações afetivas reclamem cuidados. Quem não observa também os ruídos sonolentos e estranhos?

O historiador lida com a incompletude. Tenta compreender como sossegá-la, sente dificuldades, pois as incertezas acompanham o cotidiano e os tempos se entrelaçam. Há diálogos, fugas, conflitos, desistências, epidemias. Não há como definir um saber que elucide as vastidões do humano. As lacunas  alertam que as violências se sofisticam. A modernidade não consegue retomar emblemas que pareciam fixar a democracia. O desmanche é grande, as mentiras possuem destaque e são vendidas como mercadorias. Portanto, as polarizações se misturam e  os poderes se chocam. Quem domina a verdade? Quem decifra os contrapontos e convence os mais ingênuos?

O espaço da intolerância se estica, apesar dos seus opositores. As invenções tomam os instantes, surpreendem, no entanto os sofrimentos circulam e os olhares contemplam a solidão num meio de massificações globalizadas. Quem nega a complexidade se afunda na palidez da desesperança. Temos que conviver , para que as relações justifiquem a sociabilidade e acenem com outras aventuras menos sombrias. Deixar que as manipulações nos envolvam é o caminho para apatia ou para o estabelecimento do autoritarismo tão insistente. Mas os descompassos se consolidam e as pulsões de morte se ampliam. Outras doenças nos invadem com invisibilidades fatais.Há moradias que apagam a reflexão e estimulam o uso da máscara. A história vive uma nudez que se perpetua.

 

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …e estamos todos na mesma sociedade, formados por narrativas políticas, porém refletimos os efeitos dessas narrativas de maneiras distintas. O conflito se polariza cada vez mais, a discussão sobre o uso de armas cresce a cada dia, uns a favor, outros contra. A guerra civil pode acontecer? Pode!!! Os acontecimentos do período pós-eleitoral de 2018 são incertos e cheios de tensões, há pessoas com os mesmos pontos de vistas e mesmo diante de novos fatos, continuam irredutíveis, há outras que encenam mudar de posição, mas acabam voltando atrás e permanecendo com as mesmas ideias de antes, há também as que mudam. O movimento de posição principal se dá em torno da dúvida daqueles em que ainda não sabem se continuam ou não com o governo e as práticas bolsonaristas. As ideias de ética e bom senso parecem sucumbirem. Hoje, vemos que o que vale é a imposição de ideias e princípios sem nenhum compromisso com a ciência, com a história, com a pesquisa, hoje, o que vale mesmo é “eu acho” e fulano também “acha”, logo há uma um grupo ou vários grupos organizados “achando” a mesma coisa, o que basta para muitos. O problema maior enfrentado por todos nós é quando as organizações em torno do “eu acho” consegue se tornar maioria e fazer crescer o número no legislativo e no executivo para legislar e executar suas vontades. E diante de tudo isso, ainda temos os tentáculos do judiciário a favorecer os violentos militantes dos achismos impositivos, não respeitando a ortodoxia constitucional. Logo, ilegalidades são favorecidas e mascaradas como legais perante a lei. Neste momento, essas práticas criminosas institucionais ganham força, ao serem noticiadas nos canais de tevê aberta, sem direito ao contraditório, tudo faz parte de um simulacro criminoso e sem nenhuma ética, atendendo interesses do mercado e não interesses públicos, democráticos e republicanos. Contudo, ainda uma parte significativa de cidadãos brasileiros espera vivenciar aquele instante em que o discurso síntese, o famoso e regularmente repetido pelas redes sociais, o “#LulaLivreJá”, se materialize, pleno, absoluto e conciliatório, talvez, consiga diminuir ou atenuar as tensões nacionais, ainda não se sabe, mas expectativas se manifestam…

 

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