As vitórias do coletivo: o vôlei do Brasil e os mineiros do Chile

 

Ganhar traz, no geral, alegria e otimismo. Pode trazer enganos ou distrair avaliações negativas. Depende do momento e dos rumos tomados, pelos vencedores. A decisão acontece, mas suas repercussões se multiplicam. Seus atores principais não conseguem acompanhar todos os seus desdobramentos. Faz parte da artimanhas da cultura. Não faltam amadilhas, nem abismos profundos.

A seleção brasileira de vôlei jogou partidas extraoordinárias contra a Itália e Cuba. Foi uma dança fatal para seus adversários, perplexos com o domínio verde-amarelo. Astúcias nos saques, contra-ataques rápidos, raça no ânimo, técnica esmerada no passar da bola. A torcida da casa ficou sem ação. Esperava ver a Itália assumir a ponta, deslumbrar e intimidar o Brasil. O tiro saiu pela culatra. Teve que reconhecer nosso estado de graça.

Os cubanos haviam vencido na fase anterior. Possuem uma seleção nova, com uma força impressionante. É preciso cuidado, pois são arrasadores, quando pegam o eixo das articulações. Nada feito no domingo, diante da vontade brasileira. Todos merecem homenagens, pela coragem e concentração. Murilo, Rodrigão, Vissotto, Bruno extrapolaram, mas a dimensão coletiva é importante. O vôlei requer solidariedades constantes, agilidade no raciocínio, sensibilidade para entender o olhar do outro.

É muito diferente do futebol. No vôlei, não há espaço para o jogador se omitir. Custa caro querer ficar disperso, sem se ligar na força do conjunto. Quantas partidas assistimos de futebol com atletas alheios ao que se trama ? E o goleador que termina marcando seu tento, transformando a maldição em heroísmo? O acaso está mais presente e provoca controvérsias. As reclamações pontuam muito a fala dos times fracassados. Observem as entrevistas feitas e as respostas dadas pelos atletas.

No Brasil, o vôlei vem garantindo fãs , em todos os sentidos. Há renovação, os títulos se sucedem. Bernardo é uma liderança indiscutível, envolvido com sua equipe, no ritmo exaltado do coração. A seleção havia sofrido com a derrota contra a Bulgária. A ética foi para o mato. Consagrou-se a facilidade. Alguns se abateram. O desandar do comprtamento ameaçava trazer decepções. As suas  últimas atuações responderam, com firmeza, às dúvidas lançadas , pois o brio e a concentração se pontificaram.

 A sociedade possui  lugares, onde o exercício do coletivo é fundamental. No deserto de Atacama, norte do Chile, outras relações humanas se entrelaçam. As comemorações festejam o quase fim de uma odisséia. Nem tudo está resolvido, porém o caminho está aberto. Os familiares dos 33 mineiros já esboçam um sorriso. O trabalho é intenso. Desde o dia 3 de 8 de 20010, eles estão enterrados vivos.  A sonda T-130 completou a perfuração de um duto. Ela funcionará como a difícil trilha da liberdade. Não sem riscos.

Aventura sem igual. Muitas sutilezas técnicas exigem atenção. Os sobreviventes vivem tensões psicológicas agudas. A instabilidade flutua, entre a esperança e o desespero. A mineração é uma atividade, sempre, cheia de desequilíbrios. Compõe as situações de explorações que comandam as vivências capitalistas. Valeram a mobilização e a coragem.Têm um conteúdo especial para se pensar a política, longe dos debates superficiais.Fortalece a dimensão da alegria de socializar as vitórias.A cultura frutifica atitudes diversas e não apenas o individulismo da competição.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>