Bolsonaro e a massificação da agressividade

As eleições trazem sempre inquietações. É o momento de definir escolhas que são cultivadas. Não é algo repentino. Há toda uma pedagogia política que se estende pela vida. Escutamos conselhos, éticas, princípios, porém temos que ir adiante e construir autonomia. Reproduzir é negar a crítica. Sem reflexão, anulamos responsabilidades e as fronteiras das ambiguidades nunca são avaliadas. Tudo isso não retira a surpresa e não desfaz o desprezo. O mundo é muita coisa, as regras mudam e os disfarces se multiplicam.

Os preconceitos permanecem e o progresso merece desconfianças. Não falo de conquistas científicas. Penso no cuidado com os outros, na solidariedade e não na acumulação de riquezas materiais. O consumo destrói valores, tem pressa, simula bem-estar e divulga ilusões. É difícil afastá-lo de uma mundo onde as mercadorias traçam soberanias avassaladoras. A política não foge dos labirintos. Surgem oportunidade de reverter problemas, mas as repetições acontecem de forma opressora.

As denúncias não se cansam de ocupar as conversas. Há gravidades inesquecíveis. Há fala agressivas que desprezam qualquer limite e promove arrogâncias. O pior é que elas possuem eco, conseguem adeptos e não só repúdio. O deputado Bolsonaro teve uma votação gigantesca. Faz tempo que ele destila ódios e justifica violências. Na hora das urnas, não recebeu condenação, não deixou seu mandato. Recebeu votos, milhares de votos.

Continua a soltar suas irritações, a mostrar que fabrica agressividade. Causa constrangimentos. Movem-se organizações com documentos que pedem sua cassação. Ele se segura e não sabe o que é perdão. Mantém o cinismo, encara as acusações e segue adiante. Confia que não está só, há quem o elogie. Existem preconceitos e violências que circulam na sociedade. Não é uma questão de inocência. A política se envolve com interesses e representações.

O deputado destila veneno. Infelizmente, o convívio social não se livra das agressividades. Muita desigualdade, inveja, disputa fermenta a tensão. Não há sossego, a democracia sofre de doenças crônicas. Não respira com facilidade, mistura-se com pesadelos, desmancha sonhos. Os sustos são grandes numa sociedade tomada pela massificação. O pragmatismo traz máscaras e atores dispostos a ferir. Nem por isso, o desânimo deve se fixar. É importante lutar contra a agressividade. Naturalizar as práticas fascistas é um suicídio cultural.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>