Cada lugar conta sua história

Imaginou-se que a globalização traria harmonias culturais. Esperava-se trocas de experiências e possibilidade de eliminar preconceitos. Mas a globalização atiçou as manobras do capitalismo. As disputas se expandiram quebrando dignidades e justificando repressões.A mais-valia ganhou força, muitas armadilhas derrubaram convivências solidárias, a agitação das grandes cidades fragilizou o afeto. Criaram-se abismos urbanos e templos que arrecadam favores monetários.

Tudo próximo.Rapidez, organizações internacionais, saberes soberanos. A esperada harmonia não aconteceu. Surgiram um mercado sofisticado, exércitos ensandecidos e ditaduras com ambições imensas. Portanto, o conto da globalização trouxe choques e confundiu as utopias. Muitas decepções e frustrações cotidianas. Cada lugar contando sua história e desmanchando as histórias dos outros.

Não é à toa que se concretizam as pandemias e os fantasmas milicianos alargam seus poderes. As perplexidades derrubam culturas, existem novos colonialismos e há quem aguarde, com ansiedade, o juízo final. Para que a história, para a possibilidade de unir os sonhos, se tudo vive um destroçamento que agrada a violência? Estamos numa quarentena que arranha calendários e deixam as crianças longe de seus divertimentos.

É impossível acreditar que lições das perdas seja, assimiladas. O consumismo está buscando ser ativado. Parece que não há tempo de chorar pelos mortos e entender as dimensão da saudade. Fragmentações nos atacam, nos cansam, riscam espelhos. Como iremos esperar um ar brando e contemplar um azul do encanto? Os afetos estão fechados. Há máscaras de todas as caras. Os governantes sacodem nacionalismo, são irônicos, olham para uma vaidade perversa. A globalização virou uma epidemia.

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