Cenários da vida, movimentos das tragédias

Estamos,sempre, envolvidos com buscas. Gostamos de curtir referências, de conhecer caminhos, de evitar desencontros. Mas os sentimentos desandam. As promessas de segurança, de controle passam rápidas ou não se realizam. O mundo quer velocidades, as máquinas deliram, as bolsas de valores explicam o inexplicável. Não à toa que ficamos atônitos, vivendo de humores que se transformam sem pedir licença. As pausas animam fôlegos, deixam corpos se esticarem, não riscam, porém, os espelhos dos juízos finais.

Saber das notícias é algo que nos move com intensidade. Morte, abalos sísmicos, cheias, cinismo políticos, intrigas anônimas invadem jornais. Lemos e, muitas vezes, não observamos que as tragédias se sucedem e as competições quebram utopias e intimidam argumentos ditos racionais. Surgem perguntas misturadas com indiferença. Como carregar os sofrimentos dos outros, como fazê-los dialogar com os nossos?

As ciências construíram suas metodologias, as religiões inventaram suas crenças, há uma necessidade de decifrar enigmas e de compreender a extensão dos limites. Se o sonho da perfeição nos instiga, a frustração nos coloca tropeços. Talvez, uma ambiguidade constante nos persiga, com uma respiração, um alimento. O difícil é retirar o manto dos enigmas, flutuar, excluir as instabilidades.

Há redes de solidariedades. Nem tudo se vestiu com as trevas, as sombras aparecem, porém as janelas não se fecham definitivamente. Cada coisa possui simbolismos que adormecem nas diversidades culturais. A permanência nunca é absoluta. O nascer e o morrer arquitetam pactos, brincam e desacomodam o inesperado. Desfazer as tragédias movimenta energias. Não há como não pensar que a história é um teatro e seus cenários desiguais nos amedrontam!

A montagem dos cenários nos remete ao sentido do tempo. Será que ele existe? Por que tantas conversas? O outro sacode nossas identidades. As desconfianças percorrem a história, desenham linhas e círculos. Sobram palavras, faltam articulações, os significados se confundem. Buscamos os esclarecimentos. Eles, muitas vezes, estão no afeto que desperdiçamos. A lógica da acumulação nos engana, nos ornamenta com as fantasias do excesso e com a ilusão do equilíbrio.

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>