Clássico é clássico, Pelé é Pelé, mundo é mundo

O final de semana ganhou festas, para comemorar os 70 anos de Pelé. Foram muitas homenagens. Os programas de TV exibiam suas façanhas. Os mais novos se deslumbraram. Os gols são obras-primas. Quem disse que o futebol não é uma arte? Quem desconhece a dança divina de Pelé? Sua cadência no campo, sua matada no peito, sua velocidade no raciocínio e sua vontade de vibrar deixam todos extasiados. Sem exagero, ele é único. Atua com majestade.

Mas o Brasileirão segue sua reta decisiva. Talvez, não seja uma reta. Muitos resultados surpreendentes. A evidente instabilidade dos times provoca as torcidas. Quando pensam no título, as coisas se desmancham. O Santos, ontem, perdeu para o laterninha. A segunda derrota seguida. Até o prodígio Neymar não conseguiu destaque. Cobrou um pênalti de maneira melaconcólica e ficou sem assunto. Não quis entrevistas.

Os clássicos  invadiram os estádios. Flamengo e Vasco empataram. Muita crítica ao árbitro, expulsões, porém os times continuam jogando abaixo do nível. Ninguém sabe por onde anda o talento, se desenganado em alguma clínica de recuperação. O mesmo pode ser dito do Sport e Náutico. Outro empate, com muita correria e nada mais. O público incentiva, no entanto se irrita com o primarismo de alguns lances.

O Corinthians reanimou-se e mandou o Palmeiras esperar. Placar mínimo. Ronaldo, como sempre, traz outro ritmo, apesar da sua forma física. Com ele, o Timão se organiza melhor. Algo acontece. Isso é bom, para a emoção da partida. Uma fuga da mediocridade, bem aceita por todos. A perplexidade está presente e não nega fogo. Por isso, a intraquilidade de muitos. O São Paulo não superou o Ceará. Será que chega na Libertadores?

A situação do Atlético de Minas é outra. Luta para escapar do desmantelo. Dorival mudou o time, trouxe força e ordem. Obina marcou três gols no Cruzeiro. No final, o Galo não vacilou e busca a reviravolta definitiva. Os azares de Cuca permanecem uma ameaça. O Cruzeiro se espalha, depois se recolhe. Sua disputa com o Fluminense é aguda. Ninguém se mete a prever quem será o campeão. Além disso, outras inesperadas astúcias podem trair esperanças.

O futebol é movimento. Não se acanha, se a campanha eleitoral está no auge. Não liga para as denúcias e os descontroles dos candidatos. Lá está enfeitando o final de semana, inibindo os clamores da política. Até o Santa Cruz, no ostracismo incrível, fez das suas, na esquecida Copa Pernambuco. Ganhou do Sport de 3×1. Aguarda, agora, as suas eleições.Quem ressuscitar o Tricolor vai receber as honras de uma torcida especial. Há tempo e quem sabe a coragem toque em alguns corações.

 Se o mito Pelé fosse exemplo imitado, o mundo do encanto seria outro. Não custa aprender com a vida. Desenhar o nunca visto, ainda, é um conforto e uma saída do labirinto. Não subestimemos as travessias da cultura. Ninguém se esquece do nazismo, das ditaduras, da bomba atômica. Mas ninguém se esquece também, de Chaplin, de Picasso, de Gandhi, da invenção das vacinas. O mundo é muita coisa. Ulisses que o diga.

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2 Comments »

 
  • Rafael disse:

    Assim como na História e na filosofia, o futebol ganha muito com as suas palavras! O senhor fala muito das habilidades de inúmeros jogadores, mas é admirável sua incrível habilidade com a escrita.
    Sou muito novo, só vi o Rei Pelé por videos e gravações e não poderia deixar de concordar com quão mágico ele foi. Como seria o futebol hoje se houvesse um Pelé? Quanto será que valeria seu passa? Acho que não desperdiçaria penalts e seu time não perderia para o lanterna, ou seja, o futebol, em si, não seria tão divertido e imprevisível!
    Abraços

  • Rafa

    Pelé foi realmente um fora de série. Uma artista que permanece e não será esquecido.
    Grato pela palavras. Assim podemos manter a conversa e humanizar mais a vida.
    abs
    antonio rezende

 

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