Conte as estrelas e as lágrimas

O tempo passa.Imaginavam-se grandes mudanças. Talvez uma estrada para perfeição. Mas as permanências desviam aqueles sonhos de eliminar os desgovernos. As corrupções se sucedem, a luta pela riqueza não desaparece, o progresso se fixa numa ficção tola. O tempo arrastando memórias e nostalgias. Nem tudo volta para remover sentimentos carregados. As lágrimas limpam dores e marcam rostos. Podem simbolizar alegrias.É a sinuosidade da história de cada um que transforma o que parecia sedimentado.

Conte sem se envergonhar dos sustos e dos escorregões. Deixe de lado as escatologias políticas e religiosas. Como adivinhar o futuro se as estrelas morrem e os momentos se traçam com amarguras e promessas de felicidade?Aprender que a vida é um destino, enterrado num livro sagrado desmancha os malabarismos que assustam as aventuras. Não se intimide com os acasos. Já me disseram que os anjos salvariam os pecadores e redesenhariam o mundo.Tudo sacode fantasias. O destino está na contramão da história.

O capitalismo não se acanha. Gerencia armadilhas e empurra multidões para o exílio. Como narrar a história se os pertencimentos se esgotam, se nem tenho tempo de conta as estrelas ou transcender o lugar comum. Abra as prisões, as gaiolas e a sociedade se comunicaria com uma revolução não prevista ou conheceria o lado obscuro escondido nas lágrimas dos masoquistas. Não é possível a construção do absoluto, porém a teimosia pede paraísos.

Cada um inventa suas saídas, desvia seu corpo dos acidentes, fragmenta-se para não possuir uma única identidade.Faz da política o encanto do renascimento das teorias libertárias. No entanto, as durezas não se apagam e os cinismos são valorizados. A história não é uma linha que cobre a cabeça do planeta terra.Ela é assaltada por um mal estar que nos inibe e nos empurra para uma ação que confunde. Não abandone as narrativas. É preciso compreender que nada sabemos sobre o início e o fim. É estranho olhar a história.Arrepia.

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