Conversas e lembranças da vida: os anos 1960

Em abril de 1964, tinha onze anos. Não entedia muito das coisas, mas não gostei nada do que estava acontecendo Minha rua cheia de gente comentando sobre o golpe. Só vi sombras assustadoras e a violência solta. Lá fora, a Guerra do Vietnam provocava suspenses. Os  Estados Unidos não conseguiram firmar sua arrogância.Fugiu. Não aguentou e,até hoje, não esquece dos muitos danos que sofreu. Portanto, as reviravoltas aconteciam, surgiam pessimismos, porém apareciam projetos, nem se falava que o fim do mundo estava próximo. Muita confusão, psicodelia, rock, paz e amor e acrobacias. Assim seguia a história.

Chegou 1968 com ideias e agitações. Queria-se uma outra sociedade. A burocracia e os governos eram atacados de forma intensa. Tinha quase 16 anos mais simpatizava com os movimentos, embora no Brasil a ditadura consolidava amarguras. A dominação era sinal de censura. Quase impedia a discussão política. Nem tudo era cinza, havia organizações que, clandestinamente, buscavam minar o militarismo. Quando observo que, hoje, há quem sinta saudades do autoritarismo, observo a diversidade faz residência na política e a perversão não se foi, como bem coloca Roudinesco.Toda época tem suas misturas. Os desencantamentos podem fortalecer desistências e enfraquecer o fôlego.

A famosa opinião pública é poderosa e a política anda junto com as manipulações. Tenho 63 anos, olho que há medo, outros comportamentos, luxos em esquinas de fantasias comercias e desespero em quem apostou no brilho de uma riqueza fabricada. O mundo cheio de pedras, lembra acontecimentos da década de 1960. No entanto, a dança é outra, a nudez e seus segredos, para alguns virou moda, e The Beatles ainda balança corações. Surpreendo-me com meus neto curtindo Hey Jude. Eu que sempre amei The Beatles, sem muita simpatia pelos Rollings Stones, tracei a fantasia dos entrelaçamentos da memória.

O tempo passa, nem tudo é visível e as diferenças alimentam a história. Não dá para celebrar progressos, muita gente não sabe a importância da ética. Não me canso de afirmar que o diálogo entre a permanência e a mudança precisa refazer invenções. Apontar as esperanças para o futuro, sacralizar a ciências, fragmentar o afeto, tudo é escorregadio, incorpora tensões. Há concepções de mundo que se chocam, a homogeneidade é impossível. Não estamos, contudo, num deserto de uma escassez radical. Quando suspiro, ouço o silêncio e a inquietude. Certos ruídos danosos podem sucumbir e a medida da vida desenhar outros encantos. A porta entreaberta anuncia complexidades.

PS: Só para esclarecer, aviso que havia alguns erros na digitação no texto que , por problemas de acesso, só os corrigi no final da tarde. Coisas de quem não domina a máquina e é distraído, mas gosto de avisar. Nada que mudasse o conteúdo, apenas a falta de letras afetando a concordância. Acontece, às vezes, e acho chato.Espero que esteja tudo ok(9-8 às 19 horas)

 

 

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