Lembranças leves de Descartes

Longe de mim, pretensões filosóficas ou reflexões metafísicas mais apuradas. Mas não custa viajar, lembrar-se das contradições da vida e das soberanias humanas.O homem é um animal racional, para alguns, pensa, inventa, gosta de malabarismos, sacode sentimentos, desfia. Animal complexo que interpreta tradições, refaz mitologias, não deixa de balançar a imaginação e ser surpreendido pela história. Séculos de devaneios, quem pode esquecer de Rousseau, Voltaire, Ésquilo, Salomão, Nero? E os pensadores como Marx, Freud, Darwin, Sartre, Marcuse, Simone de Beauvoir, Susan Sontag e assim vamos.

Tive excelentes aulas de filosofia que trouxeram muitas luzes. Recordo-me dos gregos bem comportados e apreciava os sofistas com sua irreverências. Muitas descobertas, tentativas de entender o mundo. Platão dialogava com elegância, decifrava magias, ainda consegue impressionar e criar polêmicas. As diferenças inquietavam, as religiões desenhavam deuses esquistos ou projetavam salvações. Os saberes flutuavam e as dúvidas não sossegavam. Descartes não calou. Pensar e existir, não se esconder das metodologias que assegurem um caminhar histórico. As vacilações não podem ser apagadas. Há idas e vindas e Descartes não negava.

O pensamento moderno lançava-se e a ciência se estruturava. As religiões não se soltavam do poder, falavam de crenças, entravam em choques e Descartes não se afastou de suas crenças. Pensar, porém o catolicismo se impunha com repressões e censuras. Quem não temia? O sofrimento de Bruno, as alianças dos monarcas com os papas, o gênio de Da Vinci. A matemática acendia o universo,o antropocentrismo traçava linguagens renovadoras e a estética se livrava das linhas retas. O sagrado se misturava com as cores do profano.

Era preciso pensar para existir. Duvidar para se aproximar das verdades. Criar metodologias, esclarecer sem deixar de lado as incompletudes, se encantar com a geometria.. Os medos das punições eram frequentes. Qual a verdade mais grandiosa? Cada um buscando suas aventuras, construindo sua moradias, arrumando estradas. Depois, sinto, logo existo. Talvez, sinto, existo, penso. O desgoverno é grande e a memória traz sonhos e ingenuidades. Sabemos, escorregamos. vemos o tempo passar e lá está Descartes, maltratado por uns ou consagrado por outros. Ele me tocou e compreendi melhor a sua época, sem contudo legitimar o absoluto. O planeta terra se vira com vírus pós-modernos e assombrações desesperadoras.

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