De onde vem a revolução?

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Os gregos aristotélicos não pensaram na revolução. Havia mitos e deuses com travessuras, mas nada de transformar radicalmente o mundo. A história passa. Nos tempos do iluminismo,a burguesia quis assegurar seu lugar político. Precisava tomar conta da sua riqueza, dá uma empurrada nas tradições da nobreza. Organizava-se para introduzir práticas diferentes, invadir a economia e colonizar. Não faltavam teorias e justificativas. Lá estavam  Montesquieu, Voltaire, Locke, Ricardo e tanto outros. O absolutismo vivia agonias e a proposta de movimentar a sociedade, fundar cidades, desenvolver, seduzia. Parecia que a luz acabaria com todas as sombras. O positivismo namorava com o liberalismo, fazia seus caminhos complexos.

Assim, a burguesia tramou suas revoluções. Abalou, violentou, acumulou. Não deixou a exploração de lado e sempre invejou a nobreza. Prometia igualdade. Houve entusiamos e desconfianças. Napoleão acionou um império, fez reformas importantes para consolidar um mundo que fugia do feudalismo. Porém, a miséria não findou, os monopólios continuaram oprimindo, as minorias não se desfizeram de seus privilégios. A Europa se expandia, falava-se de uma liberdade que não existia. Os românticos se rebelaram, Marx lançou seus escritos, as utopias denunciavam as armadilhas capitalistas. Confrontos ferozes, lutas em cada esquina. repressão sempre organizada.

Muitas teorias, planejamentos, massificações, ambiguidades, ordens. O paraíso não se fixou. Surgiram fascismos, bombas atômicas, racismo, opressões. Aquela fantasia revolucionária enganou, pois a ausência de fraternidade permanecia. A burguesia se refinou. Montou um forte esquema para vender ilusões, exaltou o individualismo, a competição e não poupou a violência. Uma mistura que garantia sua dominação. Outras revoluções se redefiniram. Buscava-se acabar com as dissonâncias, trazer o coletivo para governar seus interesses, socializar as conquistas humanas. Surgiram outras lideranças: Lênin, Mao, Fidel, Stalin, Gramsci, Rosa… Novas tentativas que não alcançaram a dança da liberdade. A vitrine da revolução perdeu muito do seu fascínio; pedia reinvenção.

A sociedade se olha e não se encontra. Sofre. As maiorias não ganham o espaço esperado. As revoluções não sufocaram as desigualdades.Muitas sofisticaram o poder, consagraram genocídios e viveram criando fantasmas. Há um certo cansaço. As tecnologias avisam que as inteligências artificiais se tornam poderosas. A máquina ocupa lugares, afasta pessoas, atiça vaidades especialistas. Fica difícil se prever mudanças que retomem ideias de solidariedade. As distopias se esmeram, junto com um pessimismo insistente. As modas se cultivam, no vazio da reflexão, no mar do luxo e do lixo. Não é proibido sonhar. mas é preciso sentir que os desgastes modificam comportamentos e ampliam desamparos.

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