Repressões, cinismos, violências, desgovernos

O mundo é território de muitas invasões. Os comportamentos mudam rapidamente. São bilhões de pessoas convivendo, com crenças e sentimentos conflitantes. Esperar uma harmonia é um devaneio. No entanto, é importante a inquietação e  perceber a multiplicidade. O ano de 2012 não promete sossego. As coisas se balançam, a gangorra se movimenta. As desconfianças prosperam, pois quem acredita no milagre da redenção dos tempos fica sem fôlego. É chato, mas não custa relembrar. A história é uma relação dinâmica entre permanência e descontinuidade. Nada é para sempre da mesma forma, nem tampouco existem rupturas radicais.

Aquele sonho de revolução não se assanha como antes. Os vencedores controlam o poder com sofisticação. Não vamos naufragar na apatia. A crítica e a transgressão solidária merecem lugares especiais. No entanto,os políticos ambicionam aumentos, mordomias, acesso aos cargos. Não procuram estimular reflexões. Poucos questionam os limites. As notícias se restringem às brigas pessoais, enchem-se de mistérios, duram semanas.  Novelas. A disputa eleitoral já contamina os partidos. Todos correm em busca de apoio.Cantam promessas. A confusão é geral. Ninguém é de ninguém. Sobram acusações, mas faltam planejamentos, configurações coletivas. Uma continuidade que deixa a maioria insatisfeita. Qual a trilha do diálogo? Quais são os compromissos?

A violência não foge. Compõe as ações humanas em todas as épocas. Ganha astúcias perigosas no tempo da tecnologia. As redes sociais trazem deslocamentos políticos significativos, porém podem difamar, levantar suspeitas destruidoras. Muita gente pensa que a violência é a morte, o crime, o roubo. A violência usa artifícios variados, possui simbolismos, infiltra-se em movimentos, aparentemente, ingênuos. Analise essa polêmica sobre o BBB. A Globo tira o foco do principal. Sua programação é ambígua, sua pedagogia paradoxal. Por que tanta arrogância ? A manipulação inibe, quebra reações, cria imagens vazias.

A sociedade navega e submerge em mares turbulentos. Há momentos de  desgovernos chocantes. Geram pessimismos. O que acontece, na Síria, é uma prova de que o autoritarismo não se vai e a pressão internacional fracassa. Há cinismos que minam a solidariedade. Troca-se de posição, arbitrariamente, nas estratégias de negociação. Muitos países que, hoje, pressionam o governo da Síria estão comprometidos com passados nada dignificantes. A riqueza material é um sinal definidor de valores. Ela faz vacilar a cidadania e aumentar os ruídos dos sistemas financeiros. Por isso, a Organização das Nações Unidas é um fantasma sem máscaras. A escrita é pequena para tantos contrapontos. Não podemos, contudo, obstruir as indagações, nem  apagar o social. 

Ontem, no Recife, a repressão não vacilou. Mais uma vez, o aumento da passagem de ônibus trouxe a polícia para as ruas. A tensão continua, as feridas estão abertas. É difícil manter a frágil chama da democracia. Tudo é uma construção. Não interessa que seja mínima. Pior é o conformismo. As rebeldias assustam quem domina. O absoluto é uma caricatura. O Enem sofre com as reações do público. Isso evita menos desacertos. A aldeia global estreita compromissos, acende proximidades, apesar das controvérsias. A polêmica sobre o acidente com o transatlântico é uma lição. Desfazer descuidos é esticar responsabilidades. Ainda se fala em heroísmo. Ouvem-se dissonâncias. Existem, porém, garantias para a soberania popular?

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