Dilma Rousseff: popularidade e contrapontos

Dilma continua mantendo sua caminhada, sem muitas surpresas. Os profetas que anunciaram desmantelos profundos não acertaram nas adivinhações. Procuram justificativas para os enganos, mas esquecem que a política não possui linha reta. Não há nada de extraordinário no governo de Dilma. Muitas denúncias, ministros demitidos e o Congresso Nacional com seus gastos de sempre. No entanto, a popularidade da presidenta não se abala. Mostra-se determinada, enfrenta as polêmicas e divulga seus planos de fazer valer os direitos humanos. Não acompanha muitas programações do governo anterior. Sua amizade, com Lula, parece firme, o que também nega fofocas de rompimentos ou intrigas.

O segundo ano de mandato traz anúncios de realizações. Não se pode mais sobreviver de especulações. Há obras emperradas, necessidade de não fraquejar diante da continuidade dos infortúnios econômicos internacionais. O suspense é grande. Ninguém acredita na superação, de imediato, dos impasses do capitalismo europeu e  Obama busca costurar as finanças norte-americanas com remendos urgentes. A China dispara com índices de desenvolvimento impressionantes. O dinheiro muda de lugar, a concentração de riquezas ganha outros premiados. O Brasil consegue ultrapassar obstáculos, não se vê na beira do abismo, exalta o otimismo e a divisão dos benefícios sociais. Dilma enfatiza seu desejo de acabar, de vez, com a miséria.

Tudo isso é cogitação, pois existem buracos na educação e na saúde assustadores. A população observa o movimento. O país não está parado, só curtindo as disputas pessoais e as dissidências do PT. Difícil mesmo é encontrar um discurso oposicionista atuante. Há uma escassez de lideranças. Cada um segura seu território, sem forçar confrontos, com opiniões vazias e uma criatividade, quase nula, nas suas estratégias. A política não se faz sem pactos. A questão é garanti-los. A diversidade contribui para a controvérsia, mas um pouco de ética faria bem a combalida democracia. A solidariedade precisa tomar conta das relações sociais, com luzes e não sombras.

Dilma toma rumos diferentes na diplomacia. Visita Cuba, negocia e provoca polêmicas na imprensa. A Ilha é um ponto de dúvidas. Cheias de dívidas, tenta sair do sufoco, renova seu repertório administrativo. Foge de certas ortodoxias. Nada como um diálogo para aumentar os intercâmbios, atiçar o mercado e fermentar exportações. Há outros que dizem sentir saudades de Lula, da forma dele tratar seus parceiros. Dilma se mexe num pântano, porém não adianta esconder discordâncias. O mundo é outro, exige sagacidade e o pragmatismo se multiplica. Ninguém pode prever até onde irão os descontroles da economia e quem será a próxima vítima.

Portanto, o governo de Dilma tem que cuidar das respostas. Sua popularidade depende da agilidade de suas decisões administrativas. As corrupções incomodam como doença sem cura. Milhões são desperdiçados. É um assalto organizado às contas públicas. Talvez, mais punição, menos conversa, transformasse o quadro epidêmico. A legislação não atinge os infratores de forma contundente. Eles pulam de galho em galho. Articulam-se com facilidade, possuem companheiros especializados e ocultos. Num país de desigualdades cruciais, o dinheiro público precisa de proteção  exemplar. Dilma teme complicações. Repetir desgasta e corrói a credibilidade.

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