Encruzilhadas: direita, esquerda, amarelo, vermelho, verde…

Há debates políticos que pareciam pertencer ao século passado. Quem apostava na divisão esquerda/ direita era, muitas vezes, ridicularizado. As medidas, agora, são outras. As conversas devem ser atualizadas ? O muro caiu, a Guerra Fria se despiu, a coca-cola está em toda parte, a China se veste com o capitalismo. De repente, os debates ganham espaços junto com as cores. Há uma badalada releitura do mundo? Ser vermelho chama atenção e ódio. E  os que gostam de amarelo e verde e decretam seu amor incondicional pela pátria? Freud redefiniria a infantilização de intelectuais que se localizam nas revistas de Pato Donald? A política virou palco de ressentimentos. As linguagens se aproximam e as denúncias negam a chegada do paraíso. A encruzilhada está no meio do caminho. As pedras se foram.

O cinismo não desiste, lembra fantasmas, serviço secretos, psicopatias aceleradas. É difícil analisar sentimentos, histerismos, apagar raivas. Tropeça-se em tecnologias de escutas. Ontem, hoje, amanhã. Quando surgirá um novo dia? As pessoas mudam no ritmo das manchetes de jornais. A produção da desconfiança quebra afetos, desilude justiças, não consegue perseguir o futuro. Há esconderijos que protegem as autoridades e saberes que desviam o olhar. A confusão não cessa, pois é raro conhecer alguma coisa que não esteja contaminada. A epidemia revela o apodrecimento da política e a perplexidade quase universalizada. A palavra golpe multiplica-se na forma e no conteúdo, abandonando os dicionários, as constituições, animando-se com desfavores ou ocultando disputas.

Não sei o que virá. Fico até com receio de escrever. Lamento tantas vacilações, dramas, inocências, culpas. A democracia se distancia e elegemos figuras nada saudáveis. Os partidos estão partidos e se especializam em assaltar cofres e garantir sucesso nas conspirações. Como tudo se resolverá é uma pergunta fatal? A pátria amada nunca dormiu em berço esplêndido. As minorias não apreciam reviravoltas. Sustentam seus privilégios, admiram monopólios, buscam apoios internacionais. Os sinais de violência assombram e alguns não observam que a fome e as desigualdades estão soltas. A balança não tem equilíbrio, desde a época da colônia. Socializar, dividir, firmar direitos são pecados capitais.Costumo dizer que a história é a construção da possibilidade.A história não possui um sentido único. Ela é envolvida também pelos projetos de políticos ou mentiras sacralizadas.

Não está fixa, é vizinha do purgatório, dos altos dízimos que acompanham o jogo do mercado Há lutas entre os grupos e as palavras se tornam definitivamente ambíguas. Num território de vulcões não dá para neutralizar o fogo , nem destruir os suspenses. Marcaram-se cronologias, esqueceram que o inesperado apronta surpresas, que os telefones são espiões. A quantidade de escutas é imensa. Já pensou quando divulgarem todas? Acho impossível. Simone de Beauvoir dizia que ” Cada um ama sua cada uma”. Quem se prepara para viver a instabilidade? Não sei. As superfícies estão cheias de lixos e os labirintos, de espelhos. Não há fórmula mágica. Sobram frustrações e desprezos. O serviço de meteorologia divulga que as nuvens estão pesadas.Os santos cumprem promessas. Articulam uma reunião para acalmar os deuses pessimistas.

 

PS: Publicação antecipada devido à situação política e suas surpresas.

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