E o futuro se perde nas incertezas do presente?

Passou a grande festa, com a agitação de sempre. Muita gente se guarda o ano inteiro para viver o carnaval. Parece que o mundo vai acabar com folias e improvisações. Os momentos de euforia marcam com ânimos, mas também sacode dúvidas. Tanta coisa para mudar e, ainda, sobra fôlego para celebrações! Não é novidade. A construção da história não tem uniformidade e surpreende. Ninguém pode fazer profecias, porém suposições que buscam aliviar certas ansiedades.

As conversas mostram as divergências. Alguns se encantam com as chamas que voltam a queimar e destroem pessimismos mais persistentes. No entanto, os problemas continuam circulando, há muitos desencontros. A elogiada multiplicidade tem seus contrapontos. Como conciliar tantos projetos e quebrar tantos privilégios? As reformas políticas têm sido superficiais. Não tocam no núcleo da socialização. Tudo está concentrado.

Portanto, olhar para a futuro não é fácil. Pensar uma história navegando na calmaria é um exagero. Basta observar o passado para compreender que a montagem da vida e das suas regras não possui uma fórmula. Muitas invenções, sociabilidades redefinidas, mas a força do efêmero torna o descartável uma presença cotidiana. As tradições estão, praticamente, esfarrapadas, mendigando tempos e fôlegos.

Quem apostou que as revoluções trariam a concretização das utopia perdeu-se. Há protestos, a violência não cede, contudo como arrumar tudo isso e costurar remendos de vestes que mostram a nudez do desamparo? Tempo nublado, com teorias que não dão conta das  idas e vindas. Viver é quase uma teimosia. As cidades procuram mobilidades. A especulação vence com um cinismo galopante. Não se respira sem luta e astúcia.

Não há uma localização única das inquietações. Elas estão presentes no Brasil, na Síria, no Egito, na Venezuela. na Ucrânia… Desmitificar, cortar vestígios de autoritarismos, retomar experiências democráticas e navegações por mares desconhecidos…. Não faltam justificativas, porém faltam instituições e grupos que conduzam as negociações com transparência. A política não foge do espetáculo e, com isso, desperdiça a confiança e aumenta a perplexidade.

No meio das controvérsias, os noticiários oferecem versões que confundem. Como as culturas se comunicam com a globalização, há também os que se especializaram em firmar aproximações. Não observam as histórias vividas e as circunstâncias que as acolhem. Protestos nos anos da guerra fria possuíramsua especificidade. Quando, em maio de 1968, as reivindicações dos estudantes abalaram regras conservadoras os anseios de mudança tocavam em olhares estéticos.

Tudo isso tem uma instigante complexidade que é inesgotável. Sem uma leitura da história que traga os significados e suas dissonâncias ficamos criando fantasmas. Os poderes se fixam, mas não existem garantias de permanência. As perguntas não cessaram, porque as dúvidas tendem a se acumular.Para muitos, a violência é uma resposta, para outras é preciso estabelecer um ética que se lembre dos sonhos democráticos. A violência e o sonho estão na história com seus traçados e seus abismos. O exílio é uma solidão muda.

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