Enigmas da vida, histórias soltas

 

O tempo vai passando e as medidas que temos dele sempre são complexas. Fico pensando se tudo não está entrelaçado, com invisibilidades infinitas. Há muitos enigmas, muita especulação sobre as verdades e os valores, mas tudo se apresenta de forma caótica ou extremamente organizada.  Somos companheiros das contradições? Talvez. Debatemos. procuramos sentir o caminho da história, onde mora o consenso e perdemos horas duvidando de palavras e concepções. O mérito de alguns é disfarçar as tensões e vender os divertimentos.O gosto do trágico não se perde, porque na busca da completude as utopias produzem mais ilusões do que exemplos. Há geometrias que se fundam num desconhecido desenho e vagamos tentando transformá-las em crenças. Quem não se mira na onisciência? Quem não se cola em culpas antigas?

O mundo que está ao meu redor não é tão pequeno quanto parece. Os comprimentos físicos não esclarecem quase nada. A complexidade se esconde no afeto que não foi dado, na vida que foi negada pelo desgoverno público, na fabricação de paraísos imobiliários. Decifrar as especulações ajuda. O macro está muito longe e confuso, porém meu olhar não é vazio quando socializo o que gosto e divido o caminho. A complexidade não é motivo para desistência, nem segregação. Aumentamos as ordens por insegurança, sentimos receio de derrubar hierarquias tradicionais. Gravitamos…

Tudo não muda radicalmente. As agressividades não flutuam. Fazem vítimas. Se fragmentarmos as sociabilidades, estaremos minando o território da história, aprofundando a incerteza, tornando inviável nos localizarmos num tempo de luzes para observar as formas da sombras. É preciso ultrapassar as medidas comuns. O que emperra a história é o medo de romper, de experimentar, é desconfiar que a instabilidade persiste para consolidar a cultura e refazer o humano. As ausências bordam a solidão e a saudade, mostram que os outros não podem se exilar do tempo que inventamos.

Os enigmas incomodam, no entanto como viver sem eles? A busca de explicações move o conhecimento. Não dá para viver com os enigmas e apostar no acaso ou tudo está amarrado num texto escrito para firmar a eternidade? A necessidade de refletir sobra a onipotência nos coloca diante de profecias. Somos, apenas, cópias de quem existiu, moradores das cavernas platônicas, produtores de histórias? É o drama que prevalece, a lágrima que lava o rosto para fixar a máscara? O que se vai nos leva, mesmo que o corpo resista. Temos que deixar vestígios, conversar com quem cultivará nossas mortes com perplexidade. É inominável o desejo que nos acolhe. Os olhares que nos tornam espelhos brincam com as imagens que nos pertencem e nos afagam.

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