Escravizar e desgovernar

Ninguém pode negar que o trabalho rege o cotidiano. Há faltas, crimes, descontroles. Porém, a busca das chamadas oportunidades de trablho inquietam desde cedo as famílias e cria tensões. O capitalismo não se impõe para salvar as maiorias. Concentra riquezas, diminui direitos, empurra a vida para limites de crueldade. O trabalho assalariado não garante qualidade. Alguns conseguem esticar seus privilégios, acumulam bens, curtem diversões. No entanto, a barra pesa, pois o capitalismo que rever princípios para explorar de forma mais radical. A política se envolve com as reformas e o cinismo ganha espaço protegido por agentes da mídia.

Escravizar é preciso? Denúncias frequentes mostram que as condições de trabalho são opressoras. O trabalho infantil existe, não se respeita às leis e o dinheiro circula para consagrar o desgoverno. Tudo isso acontece com muita manipulação.Fala-se numa uberização. Os salários não compensam, apenas distraem o desejo de viver. As ruas estão cheias de motos e bicicletas carregando comida. Perigos, assaltos, trocas, aplicativos. O capitalismo dissolve garantias e promove contradições. Não é à toa que a instabilidade cresce. A luta continua para assegurar misérias em torno de lixões e bancos na praça para destilar pesadelos.

Há imensas justificativas. Guedes solta o verbo e suas teorias delirantes. Parece que a sensibilidade desapareceu. Explorar é a palavra de ordem que move o desfazer da solidariedade e o aumento da competição para obter migalhas. Há perguntas. Como se inventará um mercado de consumo diante de tantos desmantelos? Quem poderá desfrutar de uma conversa, repensar os valores, cuidar dos afetos? Se a batalha diária é sofrida, sobra tempo para o sorriso, para educar, para testemunhar as mudanças da história? O capitalismo talvez não meça as consequências, arisque e jogue para apagar as urgências. No Brasil, o abismo se aprofunda com os deboches de Jair e as vacilações do judiciário.

Não vamos exagerar as culpas nacionais. A Argentina enfrenta perdas, os refugiados escolhem destinos nada promissores, as religiões fogem da generosidade. Uma ampla globalização da mesquinhez se estende por todas as regiões. O que faz a China para conviver com seu famoso e ambíguo socialismo? Com se comportam os milionários russos nas suas lavagens de dinheiro? Qual a vantagem de consolidar a exploração e celebrar as ideias fascistas que ressurgem? As aflições atingem grandes grupos, desmontam sonhos, empurram para as disputas milicianas.Quem imaginava o fim da escravização perdeu seu fôlego. A sociedade adoece sem saber o seu fim.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …o estado de bem-estar social passa a ser desconstruído sem nem ao menos ter alcançado a sua plenitude, o que já era precário tende a atingir o seu extremo. A vida passa a ser vivida de forma muito amarga e dura. A educação, a arte, a cultura e o lazer passam a ser vistos como coisas pequenas de pouca importância, a elas os cortes violentos do governo, tudo parece que será destruído. E assim, as descontinuidades da história se mostram empíricas. Se a sociedade lutava para sair de um estado de natureza, sem leis e sem regras para entrar num estágio mais avançado de civilização e ordem social de alta sofisticação, é notório destacar que se opta-se hoje por algo pior e mais angustiante para toda uma maioria de desfavorecidos. As utopias de um mundo melhor passam a ser cada vez mais sonhadas para suportar as asperezas de uma existência sem poesias…

 

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