As escritas, Picasso, o futebol, o inesperado, a vida

A escrita move o mundo. Ela consegue nos  levar para conversar com quem não conhecemos. Estamos na era das  pretensas comunicações, embora a multiplicidade de coisas e de relações tornem a existência, cada vez mais complexa. Nada se acomoda. A inquietação se apresenta em todos lugares: no trânsito, nos cinemas, nos encontros políticos, nos cafés, nos estádios de futebol. A calmaria ficou nos capítulos das grandes navegações.

Apesar da massificação e da mesmice disfarçada, a surpresa acontece e desnorteia. Dizem que a sociedade está administrada nos seus mínimos detalhes. Pode ser. O controle é grande, mas se mistura com rebeldias e  aborrecimentos. A escrita registra tudo isso, embora o universo das imagens seja quase soberano. A reflexão cansa, exige paciência e contemplação. A palavra de ordem é a pressa nas ações.

Vellhice, agora, é chamada de terceira idade. Entra no custo e gera seus benefícios. Tudo tem um drama e uma trama Os boatos animam, mas provocam desconfianças. No futebol, as fofocas não cessam. Mesmo passada a Copa de 2010, ainda se fala que o Brasil não tinha espaço para ser campeão. A argumentação não toca Dunga, nem seus parceiros. A Copa estava programada para os europeus, como a próxima está para seleção canarinha.E o Flamengo, soberano no ano passado, com imprensa exaltando Andrade? Ele terminou no Brasiliense. Até quando?

Vivemos a expectativa das eleições. Programas nas tvs, debates nos jornais, ruas repletas de cartazes de mau gosto, pesquisas feitas para desenvolver profecias.Mas a incerteza não fugiu da cabeça dos candidatos. Esperam temerosos o resultado final.  Enquanto isso, dissimulam. No futebol, o Santos goleia o Cruzeiro, porém não segura o Vasco. O Sport vence fora de casa, depois de perder para o Bahia. O que é pior: o Icasa foi lá e fez a festa, tirando pontos de quem havia desmontado o Leão. O Corinthians se atrapalha, e distancia-se do Fluminense.

Com a dominação tecnológica, consultamos detalhes no google e temos respostas imediatas. É o retrato da ansiedade bem respondida, articulada com informações que nos salvam de situações difíceis. Por mais que o caminho esteja desenhado, com cores definidas, há vazios esperando astúcias e desmantelos. O poeta já anunciara: Mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração.  Picasso desafiou heranças acadêmicas. Encontrou saídas e construiu perplexidades, criou outras cartografias da vida e da sensibilidade.

O ir e vir fazem a escrita buscar fôlego.Não dá para captar, exaustivamente, o cosmos, nem cercá-lo de grades  instransponíveis. As notícias são tão descartáveis como certas mercadorias. A história  tem dúvidas, sobre a  moradia mais sedutora da memória. Garrincha encantou o jogo da bola, com dribles nunca vistos. Simples, extraordinário, alegre, inesquecível.

Hitler enganou milhões, com promessas de um império que não vingou. O ritmo do texto mede  o quanto as palavras revelam e escondem os tempos e suas travessias. O blog é pequeno para tantas especulações e grande para quem prefere os telegramas. Nem tudo permite a redenção, mas atrai a atenção da escrita. Desmanchá-la seria um ato de um inesperado enlouquecido. A vida não quer a brancura desértica das páginas flutuantes.

 

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2 Comments »

 
  • marcio lucema disse:

    Antonio,

    passei para deixar um abraço…
    esse texto tá ótimo!
    concordo com você quando diz que “a calmaria ficou nos capítulos das grandes navegações”…imagem bacana!
    tudo está acelerado…o ritmo é frenético…
    é preciso tá atento para no turbilhão enxergar o detalhe…a beleza tá no detalhe…no micro…no cotidiano…

    abraço
    marcio lucena

  • Márcio

    O futebol dialoga com a vida. Muita gente não percebe que a cultura se entrelaça.
    abs
    antonio

 

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