Espionar não é novidade, mas incomoda

Há aventuras que parecem perdidas. Conseguimos revê-las em ficções, cheias de malabarismos. No entanto, o escondido tem suas estratégias. Não está no labirinto, sem alternativas e sufocado pela escuridão. Quem não gosta de espiar o outro? Quem não acompanha as conversas secretas dos amigos? As relações não se revelam facilmente. É uma imensa fantasia pensar que o conhecimento pode esgotar os mistérios do mundo. Se na história cabem mudanças velozes e efêmeras, há espaços para surpresas e espantos. Olhamos a vida de quem está próximo, imaginamos  existências, inventamos, também, nossas ousadias, como filmes fantásticos. Temos que desafiar os limites, desenhar o incomum.

Hoje, as chamadas tecnologias acordam curiosidades, antes, inconcebíveis. Os significados sofrem metamorfoses, exigindo novas leituras.Nem tudo possui lugar nas notícias dos jornais. Há uma seleção, troca de interesses, poder de sedução.Quando os assuntos surgem  significa que novidades estão sendo cortejadas para atrair as multidões incansáveis, atentas aos boatos. Portanto, o vaivém dança com o ritmo do seu tempo.As redes sociais inspiram  especulações. Elas são usadas para festejar os narcisismos, promover conflitos políticos, celebrar conquistas culturais. A sua sofisticação transforma convivências, redefine sociabilidades, retoma tensões, forma memórias.

O presidente Obama aparece numa berlinda internacional que se repete. Os Estados Unidos são acusados de espionagens. Há os incomodados, os ingênuos e os perplexos com a falta de respeito que circula nas relações internacionais. Os meios de comunicação ajudam a esclarecer e servem, também, para cultivar máscaras. Quem vive num mundo cheio de ambições deve desconfiar do vizinho, dizem os espertos. A desobediência promove a quebra de certos silêncios. As aventuras movem emoções. Elas não são recentes. Refazem polêmicas, mas nunca abandonam a história. Quem era o espião ou espiã no paraíso de Adão e Eva?

Cada época traça formas de investigação. As disputas por mercados são intensas. Quem vai adormecer diante de tantas instabilidades econômicas? Os Estados Unidos buscam manter os ares de grande imperador. Eles não são os únicos. A luta entre as corporações se alimentam de espionagens. Um produto, com um bom anúncio, encanta e fortalece a acumulação. Por que não descobrir o que se passa no quintal do outro? As guerras continuam, as indústrias de armas  não perdem fôlego. O famoso agente secreto dos filmes  atua com astúcia e riscos. Quem não se assanha com a sua coragem?As notícias sobre espionagem sempre atiçam ressentimentos e cinismos. Os jogos diplomáticos se expandem. Prisões, exílios, julgamentos, valores.

A fantasia se mistura com o real, as fronteiras se desmancham. Quem são os culpados? O patriotismo morreu? Quais as leis que impedem alguém de se inquietar com a arrogância dos poderosos? Muitas perguntas para animar discussões, desvendar atrevimentos, formar especialistas em assuntos internacionais. Vilões e mocinhos, o bem e o mal, o crime e a vítima… Argumentos para excelentes romances, para distrair o cotidiano, se arquitetam nas imagens dos telejornais. Não se esqueça de espiar, costurando ideias e dúvidas. Não decrete a morte da sua curiosidade, mas se lembre, contudo, de sedimentar uma ética que abale a sagacidade dos individualismos.

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