Construir as histórias, inventar as culturas, costurar a dignidade

 

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A memória nos traz o movimento da vida. Pode reforçar nostalgias, desencontrar-se com acontecimentos. Ela é seletiva, não se seduz pela linearidade. Lembra e esquece. Não é simples e ajuda a construir sentimentos. Portanto, não há como pensar  a história sem a companhia da memória. Temos que olhar o fazer, o desmontar,o desconstruir. Apaga o ânimo da vida quem adormece em repetições e nunca acena para futuro. Morre em projetos  cheios de poeria do passado. Tudo isso arquiteta culturas, fundamenta valores, desafia as ousadias.  Como reinventar e não cair nos abismos? Como propagar a crítica e não se sentir inútil?

Quando o passado se mostra, ampliamos a compreensão do presente e  superamos certas incertezas.Há perturbações recentes que apenas reproduzem ressentimentos. Há quem tenha silenciado, mas mantido seus preconceitos e seus ódios. O momento atual revela que existem polarizações que não se foram, idiotizam, desqualificam. As culturas se multiplicaram,  no entanto as permanências avisam que incômodos não se anularam, estão escondidos. O ser humano é indefinível. Não é à toa que o inesperado tome conte das notícias.É difícil prever, atiçar o novo, quando as dualidades seguram seus lugares nos poderes. O vício da fragmentação se estica e as falas tortas empurram para o pântano.

Assumiu-se uma ideologia progressista que não consegue ir adiante. Engana e mascara planejamentos antigos, escravizantes. Não se vive sem utopias. Volta-se sempre para celebrar a democracia. É o reino do pragmatismo, pois a desigualdade se espalha e os conflitos são cotidianos. Como pensar em consensos? Como desarmar as vinganças? As  mortes consagram armadilhas. A suspeição se  apresenta, sem querer pacto com o sossego. Num mundo repleto de tecnologias e indústrias poderosas, as tensões  parecem reviver guerras superadas. Há sociabilidades ameaçadas pela  certezas de que a grana salvará o mundo. Maquiavel ressuscita como auxiliar de governantes atordoados.

Fala-se do medieval, denuncia-se os dissabores da colonizações modernas, massacram-se saberes.Mas como está a vida contemporânea? Há instrumento de pacificação ou registra-se um desfazer de culturas?  E as hostilidades, o culto à violência, as disputas religiosas? Será que a história tem o caminho da salvação? Os mecanismo de manipulação continuam ativos e sofisticados. Muitas imagens, divertimentos alienantes, seriados para esticar a insônia. Não  é lucido nomear épocas de paraísos. As contradições se afirmam, apesar das terapias e dos protestos.Silenciar não deixa de ser um perigo. Há elegias  e recitais em cada esquina e multidões pisando no asfalto incendiário.Não adianta conhece o resumo das idiotices soltas. Eles deprimem,

 

 

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1 Comment »

 
  • Isabel Leite disse:

    Da génese dos atavismos… À instituição de cotas subjaz a necessidade de criar condições fundadoras de uma genuína igualdade de oportunidades, o que passa necessariamente pelo reconhecimento de contextos diversos e vários, seja no plano das condições de vida, seja no plano da diversidade de género, de origem étnica e ou cor da pele, sem sombra de dúvidas. Atenta a diversidade de contextos e condições, importa promover a igualdade de tratamento, sendo que igualdade de tratamento não equivale a tratar todos e cada um de uma mesma e insípida maneira, mas, antes, a tratar cada um tendo em conta as suas especificidades, as suas características, as suas necessidades, os seus pontos de partida… Acontece que num número não negligenciável de casos a igualdade de oportunidades é “pressentida” ameaça; neste número não negligenciável de casos se contam os (consciente ou inconscientemente) privilegiados. Para estes, “o mundo está bem; sempre assim foi, sempre assim será”. Ameaçados que se pressentem, emergem os atavismos, que apenas haviam sido mantidos em estado de conveniente latência. Atemorizados, reagem, então, com as entranhas, em pânico decidem voltar a ter voz, retiram a venda com que se protegiam, deixam de ser mocos, tudo vêem e ouvem muito atentamente, nada lhes escapa. Para reflexão, aqui deixo um pequeno exemplo: “Na floresta, um professor, uma raposa, comunica aos seus pupilos, um peixe e um felino, a prova a que terão que se submeter para avançarem. Eis a prova: Subir à árvore num tempo pré-determinado…”

 

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