Estamos tontos ou perdidamente cínicos?

Sou descrente com relação a muitas coisas. Fico triste, quando vejo tantos desencontros. Não vivo de ambições, já rompi com o berço esplêndido. Repito sem consternação: uma sociedade tomada pelo capitalismo se afunda afetivamente. Daí, a violência, as amargura, a inveja, o desprezo pelos outros. Sei que é um máquina poderosa e há quem admire seus feitos. Os dramas existem porque a competição é estimulada. Apenas, uma minoria goza de privilégios e outros cínicos exportam milhões para o exterior. Portanto, se tropeça e não adianta pedir socorro. O outro se coisifica,  se desmancha na pressa do pragmatismo. Quem represente quem quando o voto é um valor de troca?

Não deixa de ser saudável combater a epidemia de corrupção. Preste atenção aos desmando gerais. Os juízes estão entusiasmados com o poder da lei? Sentenças são dadas protegidas por políticas de desigualdade. Tudo é muito visível. Há o escorregadio. O mundo não é uma planície, nem um planalto. Talvez. um ousado labirinto  desenhado por um arquiteto esquizofrênico.É difícil envolver-se com outros, sem que haja suspeitas. As tensões aumentam, a falta de cuidado com o coletivo é cotidiana. A mídia ajuda a consolidar desgovernos. Parte dela está em apuros financeiros. Tudo se justifica para se juntar á salvação dos dólares? E a eleição nos Estados Unido abre bons caminhos?

Não neguemos as explorações. Olhar, apenas, para o ruído da grana traz abismo e curvas perigosas. As loucuras se sucedem com atuação de figuras sinistras. Observe Malafaia, Janaína, Cunha, Collor, Richa. Foque nos olhos. Sinta o transtorno. A atmosfera de delírio deve ser interrompida. Uma estudante, Ana Júlia, discursou com mais coerência e sabedoria que muitos senadores e deputados. Mostrou segurança e compromisso. Emocionou. Muitos defendem programas educativos fascistas ou esquecem o que pensava. Caem no vazio. Viajam no tapete mágico da insensatez. Não entendem que a memória é fundamental. Querem ser punidos vestindo a roupa de um masoquismo esquisito.

Estamos tontos e perdidos. Nem tudo afundou no pântano. A crise é radical, quebra valores e entrega pertencimentos. A pedagogia da centralização prevalece e incomoda as novas experiências. É preciso balançar o que é inútil, não sacudir fora a argila que nos  sedimenta com ousadias. A contaminação é grande, as perversões são imensas, se seguram em risos de hienas vadias e assassinas. A morte não é só física. Há morte nos desamparos, nas depressões, nos esconderijos das drogas, no desejo de firmar a solidão. Nas ruas, as farmácias ganham um espaço surpreendente e a mercantilização cresce. A cura é um enigma. A desilusão um vírus. Por que não optar pelo voo da sensibilidade?

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2 Comments »

 
  • Ana Fávia Figueiredo disse:

    “Há o escorregadio. O mundo não é uma planície, nem um planalto. Talvez. um ousado labirinto desenhado por um arquiteto esquizofrênico.”

    Esse labirinto brinca conosco entre razão e loucura. Entre o pragmático da vida e suas incompletudes e irreversibilidades. São dias de profunda angústia em que a saída fica enebriada. Realmente precisamos como nunca da emergência e multiplicação de novas experiências pedagógicas. Do diálogo entre saberes, da descontrução e do deslocamento do espaço da sala de aula… A sensibilidade de que necessitamos para nos guiarmos coletivamente neste imposto labirinto é construída em múltiplos espaços. Sou descrente com o discurso do “jogar a rede” e ver se conseguimos pescar um ou dois neste sistema excludente, injusto em seus legalismos e de naturalizações des humanas. Mas resta crer na descentralização ousada e no balanço das estruturas rígidas. E, como terminas em seu texto, apostar no “voo das sensibilidades”.

  • Ana, belas suas reflexões. O labirinto é grande, mas a vida segue. Temos muito o que fazer. bjs

 

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