Eu me refugio, nós nos refugiamos: despertencimentos

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A sociedade continua seu cotidiano com práticas que desmontam esperanças. As notícias deixam a melancolia flutuar e as pessoas correm para o trabalho sem saber o ponto final. Todos estamos procurando refúgio, num vaivém de exclusões contínuas. Fala-se em democracia, mas a memória lembra totalitarismos constantes. É claro que as máscaras são fabricadas com competência. Não é só a violência que se estabelece. Há muitos divertimentos e ilusões. A luta é desigual. Muitos dormem em bancos de praças, não podem esboçar um sinal de futuro.

O despertencimento é cruel quando os critérios de consumo prevalecem. As paisagem mudam, o tempo exige acrobacia, os trapézios caem na rede do circo. Visualizar um mundo cheio de luzes artificiais traz sofrimentos. Há muita coisa escondida e lugares estranhos produtores de armadilhas. Os contrapontos regem dissonâncias. Será que entramos no reino das sinfonias inacabadas? Não é que o passado seja o paraíso, porém há um presente  desamparado, há agonias sem espelhos, fugas precipitadas. Faz parte do dia a dia a incerteza do amanhã.

A exploração não é incomum, nem a falta de hierarquias opressoras. Sempre se firma o discurso da servidão voluntária. Cansa, acusa, sentir despreparos ou chantagens. Quem domina se cerca de teorias que justificam até o uso de armas. Não é à toa as milicias ganham espaço. O sagrado busca o profano, numa mistura que desengana. Não é ,sem agressividade, que se anula quem incomoda. Sacode-se a reflexão no lixo. É proibido atiçar rebeldias. Vale o que o dono impõe. Quem é dono? Fantasmas?

Depois da tantas celebrações. a sociedade se ressente de referências. As disputas intensas apagam as possibilidades de reação. Por isso, nos perdemos. Estamos na mesma rua de ontem, no entanto tudo se torna ruína. Os olhos se amedrontam, as moradias desparecem, se formam desertos. Existe conversa? Quem consegue pular o muro, esquecer que o cimento esquenta sua sombra? Lá está a multidão indo e voltando. Ela não dita suas escolhas. Sente seus espaços tomados. A cartografia da vida risca o desejo. consagra os mandos das minorias. Quem paga o espetáculo?

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3 Comments »

 
  • …acho que o momento do hoje é de tensões, as pessoas estão tensas, o cenário político está tenso. Não se espera do outro a divergência, apenas a aceitação do seu discurso, do seu entendimento sobre as coisas e quando isto não acontece, surge o ressentimento. E este ressentimento pode se manifestar de forma violenta, de forma muito violenta. Logo, nesse momento em que estamos deveria haver um consenso para reprimir as práticas violentas, mas não há mais consenso sobre nada ou quase nada, tudo parece ser possível de ser justificado. E assim, a máxima do século XVIII, do Voltaire, que tantas vezes fez e faz parte das minhas aulas de história, de cidadania, de direitos humanos parece perder o sentido e, o pior de tudo, parece estar fora de moda, mas como um saudosista dos entendimentos passados, ainda sinto o prazer de repetir aquilo que, na minha opinião, ainda nos faz querer que a máxima do século XVIII, a máxima do Voltaire, que sem muitas firulas, apenas afirmando o simples e o necessário, da seguinte forma: “Não concordo com nada do que vc diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.” E isso, ainda precisa ser dito, entendido e aceito por muitos de uma forma não violenta…

  • …acho que o momento do hoje é de tensões, as pessoas estão tensas, o cenário político está tenso. Não se espera do outro a divergência, apenas a aceitação do seu discurso, do seu entendimento sobre as coisas e quando isto não acontece, surge o ressentimento. E este ressentimento pode se manifestar de forma violenta, de forma muito violenta. Logo, nesse momento em que estamos deveria haver um consenso para reprimir as práticas violentas, mas não há mais consenso sobre nada ou quase nada, tudo parece ser possível de ser justificado. E assim, a máxima do século XVIII, do Voltaire, que tantas vezes fez e faz parte das minhas aulas de história, de cidadania, de direitos humanos parece perder o sentido e, o pior de tudo, parece estar fora de moda, mas como um saudosista dos entendimentos passados, ainda sinto o prazer de repetir aquilo que, na minha opinião, ainda nos faz querer que a máxima do século XVIII, a máxima do Voltaire, que sem muitas firulas, apenas afirmando o simples e o necessário, se imortalizou da seguinte forma: “Não concordo com nada do que vc diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.” E isso, ainda precisa ser dito, entendido e aceito por muitos de uma forma não violenta…

  • caro amigo

    Como tenho dito sua escrita está solta, com reflexões claras. Isso é bom.
    abs
    antonio

 

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