Famas e descontroles: esperanças soltas e vadias

          

Amy Winehouse polemizou, mas deu seu recado. Não segue expectativas definidas. Pode fazer a multidão delirar e ficar perplexa, com sua voz sedutora. Nem tudo é perfeito. Esconde-se, mostra-se apática ou movida pelas energias das drogas. Espalha mistério e seus fãs não perdem os detalhes dos seus shows. Brinca com o sucesso. Deixa o suspense no ar. Talvez, seja uma personagem que nem se reconheça. Um produto do mercado da cultura pós-moderna, cercado de magias e encenações. Não há conceitos para tantos vaivéns e mudanças de ritmos.

No mundo dos famosos, as notícias correm com rapidez. Há os que não escapam das fofocas gerais. O garoto Neymar é figura carimbada. Um sorriso. Declarações controvertidas. Agora, se compara ao craque Garrincha, sem nenhuma modéstia. Dizem que Neymar está vaidoso ao extremo. Mesmo seus companheiros sentem-se incomodados. Tornou-se um ídolo, sem alma e sem dimensão da responsabilidade.  É difícil avaliar por onde caminhará no futuro.

Os Ronaldos são presenças obrigatórias nas páginas dos jornais. O Fenômeno passa  a  imagem de vida tranquila, negócio articulado, vontade de jogar dentro dos limites possíveis. Aproveita tudo para se promover. Sabe brilhar nas entrevistas, desfaz boatos. É o capitão do time do Corinthians e mostra-se encontrado com os planos do timão. O Gaúcho tem um ar assustado. Garante que se recuperará e trará alegrias para Gávea. É tímido e não tem jogo de cintura. Aposta, em 2011, e numa ida para seleção para brasileira.

O que vem impressionando a todos é o descontrole geral , promovido pelas chuvas no Rio de Janeiro. Um alerta de tamanho colossal. Não dá para anular o sofrimento, nem a perplexidade das pessoas. O grito da natureza foi forte. Negá-lo é um pecado capital. A administração pública deve entender a extensão dos seus deveres. Não adianta acelerar a compra de carros, celulares, motos, com tantas coisas para consertar. Mortes que poderiam ser evitadas. Verbas gastas sem consciência.

As cenas desmancham qualquer coração. É bom que as televisões não poupem seus espectadores. A dor traz, muitas vezes, clareza e compromisso. Há pessoas comprometidas, sabem que a solidariedade ajuda na manutenção da esperança. Todos são atingidos pela tragédia. Não adianta fugir. A população necessita ser educada, a questão ecológica ganha espaço e as máscaras de alguns políticos são arrancadas.

A trilha da aprendizagem é longa. A pedagogia da vida não se resume às lições escolares. Ela se constrói nas experiências, se agrega aos movimentos da memória. No mundo do espetáculo, tudo se explora em nome da audiência. Desgraças, fomes, guerras, conquistas, mistérios. Há excessos que o mundo da mercadoria agita. A crítica é importante, para decortinar as ações coletivas de autonomia e qualidade.

O modelo de exaltação à quantidade merece desconfianças. Muita acumulação, pouco respeito aos pedidos da maioria. O constraste é visível. O problema é combatê-lo, sem desfazer a continuidade da luta. O carnaval está próximo. Desprezar as festas é um erro masoquista de alguns. No entanto, o que aconteceu não pertence a um passado morto. O tempo é inquieto, seus ruídos não cessam.

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2 Comments »

 
  • Flávia Campos disse:

    Antonio,
    Como diria Frei Aloísio Fragoso, (um franciscano comprometido com as lutas a favor da dignidade do viver humano), se aprendêssemos a beber, a comer e a viver com moderação o nosso pecado social seria bem menor.
    Concordo com você Antonio, “as cenas desmancham qualquer coração”. Mas, como ninguém cresce impunemente, o confronto com a dor causa indignação, resistência, e também solidariedade.
    Vivemos todos em uma grande casa comum, chamada terra. Já não deveria ser uma boa razão para nos sentirmos irmanados? Mas, não é assim…Tem as curvas das trilhas, não é?
    Como ensina Rezende, “a pedagogia da vida não se resume às lições escolares. Ela se constrói nas experiências, se agrega aos movimentos da memória”.
    A sensibilidade, o compromisso com o outro, a empatia, são atributos que carecem ser abraçados com força.
    A morte do outro, diria Mia Couto (referindo-se a morte do velho Siqueleto), “não é o puro falecimento do homem que lhe pesava” (…) “Com ele todas as aldeias morriam. Os antepassados ficavam órfãos da terra, os vivos deixavam de ter lugar para eternizar as tradições. Não era apenas um homem, mas todo um mundo que desaparecia.” (Terra Sonâmbula, p.84)
    É isso aí Antonio. Não dá para ficar alheio a essas tristezas, porque essas tristezas são nossas.
    Grata pela reflexão!
    Bjs
    Flávia

  • Flávia

    É lamentável a falta de comunhão. Parecemos estranhos , num mundo que fazemos. Por isso, fica distante a utopia e o desejo de sermos do mesmo planeta, com paixão.
    bjs
    antonio paulo

 

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