Francisco e os anúncios de mudanças e de salvação

 

A chegada do Papa ao Brasil trouxe uma atmosfera de religiosidade esperada pela Igreja Católica. Talvez, a Igreja proponha-se a anunciar um novo tempo. Conseguiu destaque no noticiário, mas também tensões apareceram. Depois dos movimentos de protesto muita coisa se reformulou na ansiedade política da ordem estabelecida. O imprevisível assusta e provoca medos. Francisco reforça a defesa pelos oprimidos. Resolveu afastar certas contradições e mostrar que o cristianismo tem compromissos históricos com a pobreza. É preciso abandonar práticas de poder e de luxo e anunciar a força do amor ao próximo. Há disputas entre as instituições religiosas e a sofisticação dos meios de comunicação atiça transtornos inesperados.

As crenças multiplicaram-se, caíram no pragmatismo. Tudo, hoje, é muito urgente. Estamos no mundo das mercadorias, as meditações são raras, porém o apego aos cartões de crédito é frequente. A ideia de salvação persiste, não se foi da sociedade. Há, no passado, retomados exemplos de generosidade. Nem tudo garante leveza ou mesmo fortalece solidariedades. A competição não é apenas profana. Ela invade os territórios do sagrado. A Igreja Católica ressente-se de perda de prestígio, polemiza, busca enfrentar preconceitos. O discurso de Francisco pode transformar concepções e retomar comportamentos diferentes. A imprensa não se cansa de afirmar que Francisco é pop e carismático.

Há expectativas. Elas necessitam de anúncios para se espalharem pela sociedade do espetáculo. O Brasil representa muito para o catolicismo. Ninguém se esquece dos jesuítas trabalhando na colonização e aliados aos senhores de escravos. Uma marca histórica que pesa nas memórias consideradas humanistas. Alguns momentos denunciam que a Igreja não se livrou do assédio dos dominadores. É importante assinalar como as religiões se entrelaçam com os jogos dos interesses econômicos. As frustrações são comuns e as máscaras seculares. Nem por isso, estão divorciadas de milhões de crentes. A salvação atrai, alivia, desculpa, embriaga.

O cotidiano é duro, imaginar a salvação, um reino de sossego faz parte dos desejos, cria espaços que acenam com a eternidade. As instituições produzem significações. Não são estáticas. Sabem que há  escorregões. Não é estranho que a visita de Francisco esteja dentro de uma ampla estratégia de reconquistar lugares e intimidar adversários. As religiões possuem semelhanças e incoerências.  Compõem a cultura e sua dimensão de incompletude. Exaltam o absoluto, celebram ritos , porém constroem, às vezes. pactos que deixam os fiéis perplexos. Estão repletas de conservadorismos que se misturam com os modernismos recentes.

Os encontros religiosos são acompanhados por grandes multidões. Não fogem de uma preparação minuciosa, com esquemas de segurança imensos, articulados e sofisticados .Francisco conhece os limites. Sabe que a Igreja sente perdas e as outras religiões crescem, ocupando redes de comunicação e investindo em ações pragmáticas. O Brasil não se desfez das desigualdades, passa por instabilidades políticas, vive violências e insatisfações. A sua estada mobilizará milhões de pessoas. É uma oportunidade para recuperar caminhos. Ficar ausente do combate à exclusão enfraquece quem se coloca como mensageiro da humildade. O luxo agride e Igreja sofre críticas que afetam princípios. Quer apagar pecados, inclusive os seus.

 

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