Galeano: a memória companheira da história

Os livros de Galeano são provocantes. Sua escrita é bela e poética. Desmente aquela rigidez dos que dormem nos documentos oficiais e exaltam o fato positivista. Conta histórias com simplicidade, sem esquecer o compromisso coletivo.No seu coração , bate o ritmo da rebeldia contra as desigualdades. Galeano nos mostra os avessos e os contrapontos. Quem leu “Dias e noites de amor e de guerra” observa outras dimensões, foge dos cinismos e das opressões que tanto contaminam o cotidiano. É fundamental que a história sinta o perfume forte da memória. Nos pequenos diálogos se descrevem experiências que trazem aprendizagem inesquecíveis.

Nos tempos dos exageros cientificistas ou dos delírios religiosos, é preciso não esquecer que a vida possui muitas travessias. O sistema de dominação é envolvente. Imagens soltas embriagam, ressaltam o vencedor. Os historiadores não se engrandecem quando apagam os sentimentos e se perdem em estrada racionalistas. Quem fica preso em verdades intelectuais, considerando-as inquestionáveis, massacram dizeres da memória. As mudanças devem ser escutadas, a heterogeneidade não é uma mentira. Não é necessário multiplicar quantidades, o que ensina está, muitas vezes, em pequenos parágrafos.

Galeano constrói uma relação fascinante entre o contar e o vontade. Não se  aprisiona às regras, nem renega a beleza do texto. Denuncia as ditaduras e as violências. Elas nos perseguem, destruíram esperanças e fecham a buscar espaços. A história também é composta  de permanências que se cansam, políticas mensageiras de manipulações. Grana e poder sepultam utopias. Arrogância e individualismo quebram o coletivo. Os textos de Galeano nos alertam para ser cuidadosos e olhar o sumiço dos valores. A sociedade se congela sem consultar referências e obscurecendo os discursos que se insubordinam contra a mesmice. Desconhecem as astúcias de Ulisses fundadoras da cultura.

Amor e guerra. A humanidade não tem sentido ou está correndo para o juízo final? Quem sabe? Leituras nos aproximam de desejos e inquietações. Se escorregamos, sempre, fica difícil estabelecer possibilidades. Ora estão canhões nas ruas, ora os serviços de espionagens estão agindo, ora sopra vento de alívio. Tudo isso nos deixa confusos, nos chama para conversas, para crítica, para o afeto. Eduardo Galeano marca o aprofundamento das memórias afetivas. Quem se cerca apenas da dita magnífica realidade acadêmica, pouco consegue tocar na complexidade da história. Razão e afeto não podem se isolar, nem afirmar soberanias absolutas.

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