Geneton: azul é a vida

Há cores e ritmos infinitos. O mundo não tem ponto final, nem deuses lúcidos. Tudo corre e se solta. Camus tinha razão. As rebeldias ajudam a sonhar e se encontrar com o acaso. Somos Sísifo. Não custa abrir os olhos, encontrar as pedras e sacudir as ruínas. Nada está acabado, a incompletude nos cerca e dialoga com a inquietação. Li o livro de Ana e Paulo sobre Geneton. Fiquei emocionado e festejei a beleza.O escrita está fascinante, consegue andar por labirintos sem deixar de contemplar os espelhos.As habilidades e as invenções se esticam e despertam sonos que pareciam receber pesadelos medonhos.

A vida de Geneton nos desperta coragem e ousadia. Porém não faltam generosidades, incertezas, aventuras. A criatividade anima a coragem e redesenha mitos. É sempre fundamental retomar a poética das coisas e se lançar sem planejamentos determinados,enfrentar o cotidiano de olhos no vivido e nas suas assombrações. Paulo e Ana trouxeram depoimentos, balançaram corações, fixaram imagens, multiplicaram-se, visitaram tonturas. Viajei. Sou mais velho que Geneton quatro anos. Identifiquei-me com muitas histórias. Estudei no São Luís e no Colégio Torres e terminei sendo professor nessa duas escolas. Lembranças fortes, aprendizagens demolidoras, pedagogias libertárias..

O livro nos toca. O Brasil se mostra na obra de Geneton. Muitas fantasias, desesperos, desfazeres, mas um futuro que não tem arquitetura definida. A história é a construção da possibilidade. Tudo está numa atmosfera ce geometrias inesperadas. Na sua forma leve e sedutora, a escrita de Paulo e Ana nos leva para mares com calmarias e turbulências. O cais está em toda parte. Geneton sabia disso e não hesitava em buscar navegações que tumultuavam sossegos. A vida é azul, atiça dúvidas e requer cuidado. Muito sossego pode, no entanto, estragar a arte e eleger a monotonia.

Ler o livro é uma dádiva. Os mistérios existem e as pessoas possuem suas narrativas. Elas compõem memórias. Sem diferenças, a morte findaria qualquer risco de transformar as gramáticas das existências. A sociedade necessita se largar, jogar fora seus cansaços, escutar os outros, cultivar mais as reflexões de Nietzsche e queimar-se no sol da sensibilidade. Inverter as cronologias, descosturar as estatísticas e expulsar as mediocridades da tecnologias consumistas descortinam horizontes. Geneton, Ana e Paulo são parceiros. Transgrediram e fugiram do lugar comum. Saudações a quem acredita que a beleza salvará o mundo. Ainda há espaços para dançar sinfonias sem o peso do pecado original.

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