Gisele na berlinda da propaganda e do consumo

           

A beleza tem lugar privilegiado, não só no mundo do consumo. Há histórias  remotas sobre as aventuras perigosas e fascinantes do que chama atenção pelos dotes sedutores. Na sociedade atual, a propaganda esquenta mais a idolatria por certas linhas e corpos. Ela não perde de vista a dimensão estética, com a valorização da mercadoria e das vitrines especiais. Compra-se o produto, elege-se o rótulo charmoso e incorpora-se o poder de firmar modas. Não estou lembrando, apenas, as coisas materiais. As pessoas se tornaram, também, mercadorias. Muitas se sentem, assim, e nem se abalam. Investem, sem pudor ou limite. A grana se acumula.

Daniel Cook, num estudo instigante, afirmou: O direito das crianças a consumir precede e prefigura de várias maneiras outros direitos legalmente constituídos. As crianças  ganharam um voz na seção de vendas a varejo, nos concursos de “faça-você-mesmo e dê um nome”, na escolha de roupas e nos planos dos pesquisadores de mercado décadas  antes de seus direitos serem declarados em contextos como a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança em 1989. São reflexões que mostram a força das relações econômicas na formação da cidadania, desde os seus momentos iniciais. Não é toa que as polêmicas ocupem manchetes, que haja precupações sobre os valores que prevalecerão.

Gisele atua em diversos anúncios. É uma figura destacada, num campo que se estende na globalização de forma avassaladora. Consegue manter-se soberana. Desafia o desgaste do sucesso e da fama. Segue fazendo sua fortuna. A coisificação faz parte da berlinda do consumo. A sociedade sofre manipulações, porém não é apática e ingênua nas escolhas. Portanto, os bem-sucedidos ajudam a fortalecer as marcas mais badaladas. Por isso, aparecem como exemplos que embriagam os compradores. Gisele possui a imagem que se encaixa nos sonhos da grande maioria, não deixa de estar em evidência.

O politicamente correto provoca debates. Há órgãos que censuram o uso de certas atitudes. Respondem pelas dúvidas das instituições, sabem que o poder das mercadorias existe para favorecer grandes corporações. Os escorregões acontecem. O tiro pode sair pela culatra. É preciso não se desfazer da crítica. Tudo se transforma num objeto, até mesmo as candidaturas para lugares decisivos da administração do social. Há discussões que indicam por onde andam os interesses dominantes. Não só as propagandas de Gisele estimulam preconceitos. Um pouquinho de tempo, acompanhando o movimento da tela da TV, desperta para as armadilhas sugeridas. São muitas. A censura  trai a democracia.

Não é surpresa o aparecimento de contradições que ameacem uma pedagogia voltada para a autonomia do sujeito. O mundo é uma escola gigante, não cansamos de aprender e ensinar. Numa sociedade de consumo, os meios de comunicação tramam dubiedades ou podem ser aproveitados como espaços de esclarecimento e dúvidas. Tudo passa pelas relações reflexivas e sua capacidade de fundamentar caminhos. O narcisismo navega pelos mares da vaidade, senta-se nos cafés dos shoppings e aprecia arrogância dos afortunados. A sociedade se divide. As diferenças existem na construção das culturas. Gisele desfila e encanta, porque há quem dirija suas energias para glorificar a beleza flutuante.

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2 Comments »

 
  • Emanoel Cunha disse:

    Sabe-se que a propaganda traz consigo o poder de sedução e desejo dos consumidores em possuir determinado objeto demonstrado. Entretando sua intenção é muito mais que um simples consumir é também se beneficiar das vendas, sejam estas materiais ou imaterias, pois as pessoas se vendem a preço de banana para se estabelecerem-se como marcas.

    O capitalismo vislumbra um mundo de sonhos onde é possível viajar e desfrutar de toda exuberância que seu lucro pode beneficiar e oferecer com sua pseudo-fascinação. Comcomitantemente a mesma o destitui de seus valores, pois o dinheiro compra seu corpo, seu rosto e sua vida. Esse é o ponto principal, por que lidamos com seres humanos, pois estes vivem mundo onde existem grandes problemas e que nós os construímos através das relacões recíprocas e sociais em sociedade.

    O capitalismo idealiza, controla e manipula pessoas em todo campo social da vida humana, essa parte ela não ousa e demonstra a quem sofre e é manipulada por suas ideologias esmagadoras e desvalorizantes. Mas a mesma também, ao mesmo tempo que é benéfica, sua política é também ambigua quando passa a compartilhar entre sociedades os seus direitos e deveres, proporcionando uma democracia para com sua posição diante da sociedade ao qual ela se apresenta.

    Abraços Professor

  • Emanoel

    A propaganda abre espaço para consumos e ilusões.
    abs
    antonio paulo

 

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