Goya: o tempo e a fragmentação da vida

                                      

                        As tatuagens da vida não têm formas, nem medidas,

                        são pintadas pelo pincel do tempo branco como a areia do

                        deserto.

                        Tudo é relativamente contado, não há exatidão, nem quietude.

                        Os sossegos são aparências enganadoras, vestígios finos e

                        sinuosos.

                        Cada instante passa como um número infinito, com radical

                        indefinido.

                       São as lágrimas que escrevem os caminhos e os risos que

                       mascaram os  desencontros,  tardios ou ingênuos.

                       O corpo é a palavra que revela  o sangue e a dor, o medo e o

                      mistério encoberto  pela  pressa da loucura inexplicável.

                      Os anos estão desenhados nos teus olhos, mas os espelhos não

                      conseguem vê-los  e o sentimento  esconde-se  embaixo do

                        travesseiro que não dorme.    

                       O simultâneo  das  imagens na memória diz quem  és e quem não

                       serás  jamais.

           

                       

                       

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6 Comments »

 
  • Emanoel Cunha disse:

    Fascinante esse texto no que toca sobre o tempo. Inconscientemente vagamos por instâncias que não podemos descrever na sua eterna e indissolúvel questão de definição. Goya, com sua obras encanta. Sua arte pitoresca, revela o obsceno de forma reflexiva amplia a visão de pensar o homem em sua nuances extasiantes da vida.

    Abs

  • Amanda Suellen Oliveira disse:

    “O sono da razão produz monstros.”
    Libertar-te do óbvio concedeu a ampla multiplicidade de possibilidades para contemplar,(re)descobrir,questionar,criar reflexoões…enxergar além!

  • Amanda

    Criar é difícil, mas mexe com a transcendência e tira do lugar comum.
    abs
    antonio

  • Emanoel
    O tempo é o desafio e traz a reflexão sobre o deslocamento das histórias.
    abs
    antonio

  • Monique disse:

    Para os mais novos o tempo é tão esperado.A ansiedade triunfa.Na meia idade o tempo tende a ser tão curto, tão extraviado.Para os mais idosos, o tempo passa a pesar ou passa a ser interpretado como veículo que trouxe boa lucidez.
    Esse quadro de Goya é , sem dúvida, uma das interpretações do tempo mais interessantes que já vi.
    abs!

  • Monique

    A expresão da pintura de Goya é forte e atiça sentimentos. Tem uma peculiaridade incrível.
    abs
    antonio

 

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