Há dores e tormentos na solidão escondida

Resultado de imagem para solidão

 

As exigências são muitas e elas percorrem o cotidiano. As pessoas perguntam, mas também se escondem. As competições pedem máscaras de todas as cores. A sociedade se torna espaço de uma crescente hipocrisia. Valem disfarces assustadores. Há quem curta estar sempre bem composto, vendendo sorrisos e afastando  qualquer ideia pessimista. O labirintos não tem fim. O mundo não é uniforme.Isso traz necessidade de crítica, diálogos, abraços. No entanto, muitas vezes manipulações se estendem, pois a lógica da grana prospera para quem não se cansa de acumular. Portanto, as transparências se vão e as solidões se dimensionam com profundidade. Com quem falar de uma frustração, de uma fracasso, de uma falta de ânimo? Quem é o outro?

As proibições trazem controvérsias. Aquela figura que está sempre alegre talvez seja rei das lanternas escuras. Joga com os  parceiros e quando se recolhe não consegue se olhar nos espelhos. A imaginação cria narrativas, sacode poeiras, porém não é neutra. Ela usa concepções de mundo que justificam desigualdades. Nem todos todos observam que as lutas atravessam a história. Surgem nostalgias de relações que nunca existiram. O desperdício é visível, o número de suicídios corta expectativas. Há solidões que emudecem e carregam dores incomunicáveis.

Não se trata de querer estimular niilismos. Os dados preenchem revistas afirmando que o desamparo é uma epidemia. Ninguém nega que se montam formas de conversar, redes sociais, celulares, datas festivas. Há quem respire, se ligue no ânimo, deixe de lado o cinismo e analise que a fé é uma forma de poder. Sabe que a incompletude não é uma fantasia tola. Não custa senti-la. O perigo é produzir euforias fabricadas, mergulhar nas fofocas nada renovadoras e reduzir tudo a uma vitrine de negócios. Como apagar sentimentos, se não há como negar a subjetividade e o desejo?

As artimanhas políticas inibem rebeldias. Se alguém mostra insatisfações corre o risco de ser marginalizado. O sucesso atrai.Ele tem preço, puxa para cultivar o vazio. Mas a sociedade sucumbe nesse cotidiano alucinado pelas bolsas de valores e as apostas na loteria. Você  se vê coisificado, aumenta suas propriedades para se firmar como esperto.  As crises persistem, porque o individualismo não cessa de estragar o afeto e atiçar a vaidade. As multidões invadem cenas. Não se engane. Muita gente, complexidades, egocentrismos e sofisticações se multiplicam. As  dores também são amplas e silenciadas em nome de utopias de felicidade. Você se assusta ou veste-se para mudar seu visual?

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …vivenciar a história e desejar o momento passado, tudo, muitas vezes parece melhor e mais colorido quando se escolhe um outro tempo e costura-se esta escolha como algo mais solicito, mais harmônico, mais feliz. Pode ser uma fuga, uma nostalgia daquilo que não se viveu, mas que se pode imaginar como um tempo melhor do que o tempo presente. Mas a questão é: será que o imaginado da história foi mesmo o seu real? Questionar e discutir problemas existenciais é muito bem-vindo, nos fortalece e nos ajuda a enfrentar as turbulências do vazio, da solidão, do consumo sem gozo, sem felicidade. As vezes, queremos as respostas imediatas para tudo, mas muitas vezes, apenas a reflexão e a maturação sobre a falta de afetos e a classificação dessa ausência como algo angustiante é o que nos resta, e assim, seguimos adiante…

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>