Há questões compondo o mundo das incertezas

Ficar inerte, esperando o sossego final, tira o gosto de viver. Querer fechar a porta e expulsar os intrusos é tarefa gigantesca. Há sempre algo chegando. Nem precisa de esforço para perceber. Os meios de comunicação garantem acesso às novidades. Talvez, provoquem assombros. Acidentes violentos, guerras inesperadas, assaltos próximos a sua moradia, mortes de ídolos estranhos. Num mundo vasto e de população diversificada,  não dá para fixar certezas e firmar convicções absolutas. Os trapézios da vida realizam voos incríveis e não escolhem uma única geometria.

Não é exagero afirmar que as incertezas atravessam tempos. Temos imensas dúvidas sobre nossas origens e as profecias do juízo final balançam, como os sinos de Natal. A aprendizagem é grande, basta observar o movimento. Nada de pretender esgotar tudo e sair vendeno verdades, com se fossem cds piratas. O redesenhar de cada coisa é veloz. Pedir calma, resolve por instantes. As invenções existem de forma constante. O incansável também ganha espaço, diante das monotonias e das repetições.

Desfilam especulações que despertam curiosidades. O caso do jogador Adriano é uma delas. É muita instabilidade anunciada. Como invadem a vida privada das pessoas, sem querer saber da consequências ! Agora, falam da sua volta para o Brasil. O Flamengo, o Palmeiras e outros clubes se candidatam a contratá-lo. Os boatos se aceleram. Adriano aparece , em fotos, com um tristeza no rosto. Totalmente, indefinido na sua escolha, movido pelas ações dos seu empresário. Causa espanto.

As monobras de Assange e sua turma assumem as manchetes internacionais. Dizem que há uma cibernética terrorista que revela segredos perigosos. O feitiço se volta contras os feiticeiros e eles tremem. Os poderosos investem, tornam-se donos do mundo, depois se lamentam quando se sentem ameaçados. Existe o intocável? Cadê a socialização e a fraternidade ? A sociedade pertence mais a uns, do que a outros? Os ideais da Revolução Francesa dançaram e o que permanece é o individualismo ardiloso. O heroísmo tem força, em certos momentos, para se tornar histórias em livros sagrados.

As questões compõem o mundo. Não o deixa estável e habitando paraísos. O desgaste das desigualdades fabrica suspeitas e desmantela projetos. Os parlamentares brasileiros estipularam um aumento fabuloso para si próprios. Valem fortunas para os cofres públicos, mas a saúde e a educação estão submersas nas carências. E a grana que se gasta nas celebrações do final de ano? Não poderia haver mais pudor? A alegria só se veste com palcos e cenários ? A oração é agora a do amigo secreto e das suas singularidades?

Pois é. De todo jeito, a sensibilidade sobrevive. Sobra narcisismo, porém rebeldias não deixam morrer os sonhos e a transcendência. A ordem dominante não satisfaz a todos. Usa artimanhas, transforma as necessidades sociais em artigos de compra e venda. O fôlego crítico assanha os que não se idiotizam com o vazio e a esperteza que fazem dos objetos o caminho da salvação. Minha televisão tem 16 anos e isso não me impede de espiar os programas de todos os gêneros. Trocar, às vezes, é se desconhecer.

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2 Comments »

 
  • Flávia disse:

    Na Semana de Natal “A astúcia de Ulisses” nos presenteia com reflexões instigantes, que merecem toda a nossa atenção e nos impulsiona a defender projetos de VIDA:
    “As incertezas atravessam tempos (…). As questões compõem o mundo (…) Os tempos dialogam entre si. (…) Um olhar sobre as faltas, as frustrações, o inesperado, anima a vontade de mudar certos atos. (…) O importante é a capacidade de entrelaçar as relações, conjugar nossos pertencimentos. (…) Vale a pena guardar o que parecia inútil” (ou o que nos convenceram a achar que era inútil?)…
    O bom é ter a certeza que de todo jeito, a sensibilidade sobrevive!
    Por isso vale a pena trocar a oração do amigo secreto e confessar o amor ao amigo especial. Importa não se sentir apenas um telespectador do mundo e sim um habitante dele, com todos os riscos e os desafios impostos pelos tempos presente, já ausente e o da reconstrução dos sonhos.
    Vale a pena, continuar lutando contra os projetos de morte e reconstruir o Natal que habita a nossa essência mais bonita que pede passagem para renascer a cada manhã vindoura.
    Natal que reacende a utopia do Amor e fortalece a fé na nossa humana idade. Trocar, às vezes, é se redescobrir. Se descobrir Sol, Júpiter… “Terra… terra, terra…
    Por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria?”
    Abraços de apertar laços (natalinos)!
    Flávia

  • Flávia

    É isso. O bom era a solidariedade solta e não as vitrines brilhantes. Mas não custa ir adiante. Não vamos apostar no pessimismo.
    abs
    antonio paulo

 

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