Há tempestades e ruídos tensos

As ruas não querem sossego. O capitalismo vive aprontando armadilhas e não liga para solidariedade.Estimula competições e fortalece as violências simbólicas.Destrói sinais de vida, pouco se toca com a miséria e explora com riso nos lábios. O Chile ferveu e intimidou as forças conservadoras. Tudo teve uma bela sincronia e emociona quem nega as travessias opressoras. Parece que a redefinição do capitalismo é mesmo um ensaio perverso.Inventam-se contabilidades, acomodam-se privilégios, empurram os mais pobres para os pântanos. É preciso dissonâncias, barulhos de vozes indignadas. As hienas devem correr para seus esconderijos. São covardes e celebram a vitória das minorias.

Penso que mercado de consumo surgirá com tantas manipulações de aposentadorias e esquemas preparados para consolidar os bancos cinicamente programados ! As tempestades anunciam que a humanidade não pode continuar cultivando a morte da fraternidade e o tilintar das granas solitárias. Não apenas o Chile apronta suas reações. Há sinais de que as bombas explodem, a fome se expande, o refugiados continuam atravessando pesadelos. Como calar? Como não voltar a imaginar utopias e alertar para falência da sociedade que se move na ambição e nas pegadas do imperialismo? O cotidiano é tenso, porque o sonho se fragmentou.

A história nunca foi linear ou um território de calmarias. O homem é um animal com acrobacias estranhas que sugerem medos. Os circos de horrores estão nas prisões, nos tiroteios nas favelas, no tráfico de drogas, na cooptação tão comum na política. O passado dialoga com o presente. Não se pode desprezar a memória. Quem não se lembra dos totalitarismos medonhos, do holocausto assassino, das frustrações permanentes com as religiões ditas salvadoras de todos os pecados. Cabem reflexões, fôlegos para manter a coragem e atiçar o desejo de criticar.

Ninguém sabe a data do juízo final. As fantasias não abandonam a história, nem os tempos de reinvenção fecharam suas portas. As polêmicas existem, porém a violência se expande. Não se trata de discutir ideias. Quem dirige a sociedade se veste de roupas venenosas, investem nas redes de comunicação para exigir que mordomias sejam aceitas. Brutalizam e secam o afeto.Lastimam-se de incompreensões e de perdas. Convencem os ingênuos, fazem parcerias com sindicatos de crimes, corrompem sem cerimônias. É difícil contemplar mares limpos, escutar sinfonias harmoniosas, quando as dores consagram dominações e a esperança se curva ensandecida.

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