Hannah: as massas na história e as ruínas acumuladas

Muitas vezes, tem-se a sensação de que nada se perdeu.O mundo está intacto. Há, apenas, simulacros, ornamentos, mas os abismos são os mesmos e as máscaras ocupam lugares centrais. No entanto, as ruínas estão acumuladas, disfarçadamente. Não se trata do lixo. Ele tem relação com o descartável no tempo presente. Difícil é encontrar lugar para depositá-lo, sem afetar as elaborações logísticas do cotidiano. Produz-se o excesso sem medir consequências. Insiste-se no alargamento da diversidade, sem, contudo, mergulhar na qualidade do que se fabrica. A sobra é grande e misteriosa. Desafia quem a cerca com uma lógica.

As ruínas possuem invisibilidades. Os rastros do progresso não são sucatas de máquinas abandonadas pela superação tecnológica. Acumulam-se valores esvaziados, costumes desprezados, afetos descompremetidos, utopias desmanteladas. A ruína não é lataria de carro velho. Pergunte, antes, o que significa o velho e o novo na contemporaneidade. Atente para as arquiteturas das culturas, construindo seus mapas. observando os territórios com planícies e rios que se recusam a se misturar com o mar. Portanto, os contrários devem ser desfeitos. Eles são reveladores do  incomum.

Se a extensão da cada ato toca nos outros, as linguagens são deslocamentos das inquietudes. As palavras arranham e acalentam. Apesar das ambiguidades não há como não projetar  caminhos. Há muito pessimismo, junto com euforia superficial. Os diálogos são frágeis, quase monólogos. Hannah Arendt, ainda no século XX, afirmou: Pois uma sociedae de massas nada mais é que aquele tipo de vida organizada que automaticamente se estabelece entre seres humanos que se relacionam ainda mais uns aos outros, mas que perderam o mundo outrora comum a todos eles. A sociedade de massa ganhou onipresença. Hannah  lançava profecia. O fôlego  aceso foge.Expande-se uma respiração marcada pelo conformismo que flutua com os êxtases das propagandas. Muito ruído, pouca comunicação e paciência para interpretar o outro.

A ruína lembra que existe a barbárie. Nisso entrelaçamos Benjamin e Octavio Paz. Quem pensa a cultura, fora do linear, avista que a vontade de poder é permanente. A confusão é contínua, sobretudo quando se nomeiam os valores ditos fundamentais. Será que eles existem ou tudo não é um jogo de quem restringe às culturas a universalidades perenes? A história se constrói quando se ouve vozes, se reparte, se socializa. A costura da astúcia com a ousadia traz os bordados mais firmes e cheios de encantos. Mas onde está  essa época da comunhão que nega o autoritarismo e entrelaça planos?

 Se as massas curtem shows, novidades tecnológicas, compram, quando podem, compulsivamente, se elas expressam a maioria, como  desmontar as ruínas? Mais uma vez, Hannah: Na situação de radical alienação do mundo, nem a história nem a natureza são absoluto concebíveis, essa dupla perda do mundo- a perda da natureza e a perda da obra humana no senso mais lato, que incluiria toda história-deixou atrás de si uma sociedade de homens que, sem um mundo comum que a um só tempo os relacione  e separe, ou vivem em uma separação desesperadamente solitária ou são comprimidas em uma massas. Os impressionistas sentiam essa atmosfera de cores indefinidas?

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4 Comments »

 
  • Maria Rezende disse:

    Painho!

    Parabéns pelo aniversario do Blog!!

    Tenho certeza que terá muitos anos de sucesso!

    Beijão!

    Maria.

  • Maria

    Com sua boa energia, vamos adiante.
    bjs
    pai

  • Emanoel Cunha disse:

    De todas as formas em que se há vida, existe uma motivação que realça os desejos que esse se acham amortecidos pelas circunstâncias da história.

    A partir dessa pressuposição, tomo por minha consciência que por ser complexa em todas as suas vazões de existência o homem percorre seus caminhos na qual as várias incógnitas da existir nos direciona a questionar seu próprio universo. Este, quando se desdenha por sua próprias perguntas avança o seu pensar a frente de seu tempo.

    É perceptível que ao dirigirmos nossas próprias sabedorias sobre o que nos é ocultado, atravessamos e aprendemos a dar novos significados ao mundo tal como é por sua natureza. Natureza essa que é construída por culturas, essas variadas, que conduziram e conduz a humanidade habitar em atmosferas que a desassocia dos próprios valores construídos de sua época.

    Com essa motivação, a satisfação de subsistir a liberdade e de recriar novas culturas os colocam numa posição de inebriar-se dos encantos do conhecer, pois a a medida que aprendemos a interpretar o homem e sua história flutuamos para caminhos ousados e magníficos. E assim vamos vivendo e aprendendo…

    Abr

  • Emanoel

    Mesmo quando a opressão se alastra, sobra espaço para fazermos escolhas. Isso nos leva a descobertas e a inventar caminhos. É a vida, complexa e desafiante.
    abs
    antonio

 

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