Incertezas contemporâneas:o lixo e o luxo se completam

 

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Muita gente enxerga um mundo desenhado por uma sucessão de ruínas. Uma rápida olhada nos jornais ou mesmo nas redes sociais mostra que há pessimismo exaustivo e pesadelo nas expectativas. As análises frequentes observam o momento tenso e incerto. Fatigam como nunca. Há disputas armadas  e invejas opressivas O que parecia ser o caminho da salvação tornou-se um lugar de cinismo feroz e desnutridos sentimentos. As religiões procuram lugares de poder privilegiados, não se envergonham de dividir os horrores. Francisco não é bem visto por defensores dos autoritarismos. Existem deboches constantes que esvaziam a crítica e confundem a clareza nas opções. Portanto. simulam-se interesses e soltam-se balões de ensaio. Infantiliza-se cada ato, para fragmentar o compromisso.

A insegurança invadiu o cotidiano. As verdades são fugazes ou mesmo produtos da contabilidade do mercado. Instáveis e pálidas.A busca é por incentivos materiais. Quem se engana?Que registra a coisificação ou a destruição dos afetos? A legitimidade está suja de dizeres curtos e rasos, dançando seus ritmos monótonos. Não é exagero.Há quem curta violências, estimule preconceitos, queira sufocar as maiorias. As ideias revolucionárias se sentem adoecidas. A lógica do capital agiganta a concentração de riqueza e anula a reflexão de quem duvida. Isso alicia, desmonta, açoita quem se abraça com a solidadriedade.

O futuro se balança. Ele sempre foi lugar de incertezas. O pragmatismo fechou a porta para o sonho e abriu o espaço para o utilitarismo. Ser um animal social encantado com o infortúnio do outro é dantesco. Sobram minorias lutando para denunciar e desnaturalizar violências assombrosas. Será que a exploração cabe apenas nos países marcados pela desigualdade? Quem domina escolhe suas vítimas e não se cansa de bordar máscaras para aumentar sua invisibilidade assassina. Não é à toa que vestimentas da insensatez se espalhem como modas para ações macabras. O lixo e o luxo estão em cada esquina e não cessam de costurar seus disfarces.

Quando Nietzsche anunciou a morte de Deus, a cultura ocidental ganhou uma nudez polêmica. Certos paradigmas caíram nos pântanos mais tenebrosos. As guerras,os fascismos, as bombas atômicas, os imperialismos deixaram uma suspeição permanente.Quem se beneficia? Quem trama? Quem se esconde? As incertezas povoam a sociedade acompanhadas de perversidades que empurram para o abismo. Não se faz um silêncio absoluto, porém a perplexidade se multiplica. O mundo das incertezas difere do mundo das utopias. Os deuses não conseguem teatralizar o juízo final. Sem a invenção de novas brechas continuaremos atormentados pelas travessuras das culpas e massacrados pelas incertezas.Escraviza-se com sofisticação e tecnologia acesa para o apocalipse.

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3 Comments »

 
  • Jair Gomes Santana disse:

    Uma radiografia de nosso tempo líquido e adoecido neuronalmente. Há algum limite? Qual a saída? Para onde?!

  • Jair

    Grato pela leitura.Tento mostra como as coisa andam pesadas.
    abs
    antonio

  • Rivelynno Lins disse:

    …um aprimoramento poético das angústias dos tempos de hoje em forma de escrita, um texto muito bem pontuado com descrições de tensões sociais vivenciadas nos vindouros dias de 2019. As novas falas políticas emergiram no cenário nacional de forma assustadora, um novo congresso, um novo modo político de governar, de legislar, de julgar a ferir os direitos humanos, a preservação ambiental, os direitos individuais, os professores. Tudo abençoado por um significativo viés religioso ultraconservador e violento, a vez agora é dos neopentecostais conservadores e defensores de formas autoritárias a tentar moldar as pessoas e as suas mentes, defende-se o uso indiscriminado de armas de fogo por meios de políticas que facilitam o seu acesso, é preciso matar e silenciar para sempre os desafetos, na Bíblia uns dos mandamentos diz “Não matarás!”, para que serve este ensinamento, quando se está na frente de grandes empreendimentos religiosos lucrativos e pessoas em situação de miséria promovendo o roubo para matar a fome? Para quer se discutir formas de extinguir as desigualdades sociais, se políticas de Estado visando o extermínio dos miseráveis são rápidas e supostamente eficientes? Os tempos são de poucas reflexões e muitas práticas de intimidação e negação de direitos constitucionais articulados numa orgia sórdida entre líderes religiosos, meios de comunicação, mercado capitalista e os poderes executivo, legislativo e judiciário, unidos numa sistemática destruição da soberania do Estado Nacional…

 

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