O futebol de cada dia, na cadência da vida, da fantasia, da violência

Cada cultura possui suas singularidades. É bom que existam diferenças. Melhor ainda que o respeito seja parceiro das ações humanas. Formular hierarquias e desigualdades gera tensões. O Rio de Janeiro vive desmantelos constantes de violências terríveis. Parece um espetáculo, um filme, um viodeogame,  mas estão todos pertos da ameaça da morte.

As análises sobre esses desencontros são, muitas vezes, superficiais. Quase ninguém mergulha nos subterrâneos, onde o estímulo ao consumo e ao individualismo provoca ambições e inveja. A violência não acontece por acaso. Ela está dentro de um sistema que não se cansa de promoções e de fabricar objetos com promessas de felicidade.

Pois é. Mesmo assim, não há como cessar o movimento da vida. O futebol encontra-se com o final de semana e os jogos se sucedem, chamando atenção das torcidas. É uma forma de dar um chute nas dificuldades. Sábado e domingo passados não foram exceções. São muitos campeonatos, subdivididos em séries, em chaves e inusitadas regras.

É impossivel falar de cada detalhe. A memória é seletiva. Nem tudo merece o afeto da lembrança ou o desprezo do esquecimento. O  não temos muito controle sobre nossas emoções. Os torcedores do Náutico gostariam de não se recordar  da derrota para o Icasa. Ficam desconfiados, pois o time precisa de superar as suspeitas existentes que, ainda, incomodam.

Quem torce pelo Goiás curte também uma ressaca prolongada. Já os fãs do Botafogo devem estar felizes com a vitória sobre o Avaí. Assim, seguem acreditando na equipe. O São Paulo tentou livrar-se dos azares, tendo como adversário o Corinthians. Acabou sendo derrotado. Quem diria que o tricolor do Morumbi sucumbisse de  forma  tão melancólica ?

O público prestigia os espetáculos, onde as expectativas fazem fervilhar os corações. Fluminense e Vasco empataram, num jogo com uma plateia majestosa e entusiasmada. O Flu continua na liderança da série A, perseguido de perto pelo Timão de Adilson Batista. O Palmeiras não encontrou, por sua vez, o caminho da boa esperança. Não saiu do 0 x 0 com o Guarani. Muito pior que seu técnico, Felipão, se encontra Luxemburgo, sem luz no fim do túnel.

Entre violências e disputas,  a sequência dos momentos nos acenam para a diversidade das relações sociais. Uns se esgotam nas decepções, como os cruzeirenses, e outros se renovam na esperança, como os tricolores do Arruda. Somos múltiplos, nas dores e nas sensibilidades. A estética da vida nos visita e nos extasia.

René Magritte nos traz essa perspectiva. É artista das cores sublimes. Pinta outros jogos e outros prazeres. Busca iluminar inquietações dentro dos sonhos e não das armas de fogo. As suas pombas são símbolos do sagrado. Sem a fantasia, apodrecemos na mesmice. A grande invenção de cada um é não ser moldura de espaços agressivos.

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