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	<title>A astúcia de Ulisses</title>
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		<title>Lá se vai mais um Carnaval</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 08:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cranaval]]></category>
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		<description><![CDATA[
O Carnaval traz a inquietude e balança a cidade. Suas máscaras desenhadas, suas fantasias inesperadas, sua alegria flutuante se misturam com o interesse em vivenciar dias especiais, fora da mesmice. Há, porém, um grande cerco dos patrocínios e ações das políticas pragmáticas. Nem por isso, o entusiasmo se vai. O mundo é o da multiplicidade. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://3.bp.blogspot.com/-LO1CT7qeBK8/TnFDMTVQtDI/AAAAAAAABPA/qSICfHZxt0E/s1600/Frevo+1.jpg" alt="" width="462" height="510" /></p>
<p style="text-align: left;">O Carnaval traz a inquietude e balança a cidade. Suas máscaras desenhadas, suas fantasias inesperadas, sua alegria flutuante se misturam com o interesse em vivenciar dias especiais, fora da mesmice. Há, porém, um grande cerco dos patrocínios e ações das políticas pragmáticas. Nem por isso, o entusiasmo se vai. O mundo é o da multiplicidade. Tudo termina se misturando, nem mesmo a força da chuva conseguiu inibir os admiradores dos malabarismos cotidianos. É ritual festivo de sedução indiscutível. As multidões garantem sua animação, com todas as dificuldades que podem aparecer.</p>
<p style="text-align: left;">Muitos reclamam que não se brinca mais Carnaval como antigamente. Falta proximidade, há violência solta e pouco espaço para o corpo se espalhar. As cidades se transformaram nas últimas décadas, não só devido ao crescimento da população, mas com  a chegada de novos hábitos e a entrada de invenções que requerem outros comportamentos. Há quem se adapte, siga na folia. São escolhas. Fica perigoso estabelecer hierarquias. Quem brinca o Carnaval, pela primeira vez, não avalia como era antes organizado. Seu ânimo encontra-se com caminhos diferentes. Portanto, a história não é a continuidade absoluta, a nostalgia existe, porém as relações se refazem e se renovam. Nem por isso, o passado se desmancha e a memória joga fora suas chaves.</p>
<p style="text-align: left;">Numa sociedade de consumo, os interesses econômicos pedem agilidade no comércio. O Carnaval é um cenário singular para venda de mercadorias. Faz parte do calendário das comemorações. A cidade se recompõe para recebê-lo. Ambulantes nas ruas, barrancas com bebidas, fantasias de todo tipo. O lucro é esperado, não é ensaio. O consumo exige movimento e envolve. Poucos escapam das suas iscas. Ele fabrica necessidades, provoca comparações, atiça vaidades. Quanto mais produtos, mais desejos flutuando, mais trocas no mundo que vive, também, do aparecer e da montagem de espelhos pessoais.</p>
<p style="text-align: left;">Os espaços públicos são ocupados. Há estratégias políticas montadas para aproveitar os resultados dos contatos com a população. Os grandes momentos contam com deputados, governadores, vereadores, prefeitos ávidos pelo reconhecimento, de olhos nas eleições. Todos conhecem a importância dos meios de comunicação. Querem sobreviver. O poder possui privilégios e a coletividade exige ações. Pão e circo é fórmula antiga e eficiente. Cada vez mais sofisticada. Não estamos nos anos 1950, mas na famosa aldeia global, com suas virtualidades. As coberturas da TVs valem o esforço de curtir um temporal ou fingir paixão pelo toque do frevo. Seria impossível a existência de uma folia neutra, sem as artimanhas do poder.</p>
<p style="text-align: left;">Tudo passa. O cotidiano mais árduo retorna, o espetáculo muda de direção. Identidades são recolhidas, disciplinas retomadas, rituais de trabalho focalizados. Não há como celebrar eternamente, nem tampouco ficar no sufoco dos expedientes, sem atmosfera que mexam com a imaginação. É o ritmo da cultura. Sua complexidade não cessa, pois a construção de tecnologias influencia no modo de viver e nos seus afetos. O mundo do celular e do computador tem suas alucinações. Mas quem pode negá-los? O Carnaval está na mira dos negócios, não, apenas, nas aventuras que quebram a mesmice e o olhar cansado das burocracias.</p>
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		<title>Malabarismo: o trapézio do mundo</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Feb 2012 03:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[equilibrio]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[                        
       Não esconda a alegria extraviada no íntimo do bolso.
      Deixe o tempo reger a vida com uma sabedoria vadia.
      Não marque pontos na loteria, nem sonegue vontades anônimas.
      Pense no cosmo, nos braços de Afrodite, acalentando desenganos.
      Quando as estrelas contarem suas histórias desapareça do universo.
      Peça a deus um lugar no paraíso, sem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">             <img class="aligncenter" src="http://www.kalinesia.com/a2k502/DSCN0325.jpg" alt="" width="459" height="299" />           </p>
<p style="text-align: left;">       Não esconda a alegria extraviada no íntimo do bolso.</p>
<p style="text-align: left;">      Deixe o tempo reger a vida com uma sabedoria vadia.</p>
<p style="text-align: left;">      Não marque pontos na loteria, nem sonegue vontades anônimas.</p>
<p style="text-align: left;">      Pense no cosmo, nos braços de Afrodite, acalentando desenganos.</p>
<p style="text-align: left;">      Quando as estrelas contarem suas histórias desapareça do universo.</p>
<p style="text-align: left;">      Peça a deus um lugar no paraíso, sem maçãs, nem serpentes espertas.</p>
<p style="text-align: left;">      Reforce os traços das mãos com o vermelho dos batons abandonados.</p>
<p style="text-align: left;">      A cartografia do mundo está solta no banco da praça central.</p>
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		<title>O mundo segue suas aventuras históricas</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Feb 2012 10:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[aventuras]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
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		<description><![CDATA[
Tudo acontece com  simultaneidade que assusta. Estamos no Carnaval, a grande festa, mas o mundo gira. Não é possível visualizar uniformidades por mais que a sociedade de massas se amplie e exija benefícios. A fertilidade é imensa. Se os espetáculos enchem as ruas de som, os blocos  se vestem de cores, outras notícias circulam, há os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://3.bp.blogspot.com/-4mJKhudk9tA/Ta8o_e4EMLI/AAAAAAAAAKo/eZHyw0vCERs/s1600/multiplicidade.png" alt="" width="570" height="269" /></p>
<p>Tudo acontece com  simultaneidade que assusta. Estamos no Carnaval, a grande festa, mas o mundo gira. Não é possível visualizar uniformidades por mais que a sociedade de massas se amplie e exija benefícios. A fertilidade é imensa. Se os espetáculos enchem as ruas de som, os blocos  se vestem de cores, outras notícias circulam, há os quem passam pelas celebrações indiferentes. Comentam sobre as corrupções, investigam as páginas de jornais, procuram leituras filosóficas, fofocam sobre as fantasias dos vizinhos. Portanto, o efêmero e a multiplicidade se casam, para viver a agitação e cogitar momentos de sossego. Existem as mesmices, porém elas não apagam a diversidade e as extravagâncias.</p>
<p>O Carnaval esquenta o desejo, desafia os conservadores. É um período de transformações que não garantem permanências. Negociações emocionais são tramadas, em cada esquina, em nome da liberdade individual. O eco do ontem não se ausenta. Ninguém esquece a vitória do Sport que deixou os tricolores atravessados. O futebol contagia e se entrelaça com as aventuras da folia. O caso Ricardo Teixeira é novela de audiência vasta. O pior é que ele possui defensores, compromete estruturas, mas não sai do foco central. Gasta milhões e não cai, mesmo com as acusações cotidianas.</p>
<p>Perto da folia, Lindemberg foi condenado, não sem polêmicas e agradecimentos à justiça. Tudo no ritmo globalizado, com intimidades devassadas, lamentos escancarados e as orquestras de frevo nas ruas. A mistura é geral, os sentimentos se confundem, alargam contrariedades e inquietudes. Na Síria, continua a violência, a Europa não se aproxima do fim do túnel e a Lei da Ficha Limpa traz respiração para quem confia na democracia. O Carnaval não anula os outros rostos da vida, pois é impossível ficar longe dos meios de comunicação. O mundo se abre a ensaios de opiniões que se estendem.</p>
<p>Tudo foi sempre assim? Há sociedades mais compactas, com proximidades mais curtas, sem suspenses contínuos. Não é esse o nosso tempo. É bom retomar o que Eduardo Galeano coloca:<em> Somos todos iguais perante a lei. Perante que lei? Perante a lei divina? Perante a lei terrena, a igualdade se desiguala o tempo todo  e em todas as partes, por que o poder tem o costume de sentar-se num dos pratos da balança da justiça</em>. Os desencontros não fogem, portanto, da história. Configurá-la linear é cegueira inconsequente. Por isso, que não podemos aniquilar os sonhos, para não naufragarmos no desânimo.</p>
<p>Nem todos apreciam passeios pelo memória. Pensam estar vivendo novidades, quando sofrem com os ataques das nostalgias. Fechar a história no quarto do aqui e agora é gratificar a mesquinhez da imaginação. Tudo é muito complexo, os territórios da cultura são móveis e os fantasmas trabalham sem interrupções. Lá estão alguns assaltando bancos, outros justificando desmantelos administrativos. Há quem se entregue à alegria, some das melancolias e aproveita os mínimos instantes. É difícil desenhar outro mundo, juntar os cacos da fragmentação. Não estamos na Grécia de Platão, nem na Alemanha de Nietzsche, nem na Espanha de Cervantes, mas há espehos por toda parte.</p>
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		<title>Memórias: reencontros com os tempos da vida</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Feb 2012 10:23:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[contemporaneidade]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Auster]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Memória: o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez. Essa afirmação do escritor Paul Auster, no seu instigante livro A Invenção da Solidão, sempre me acompanhou. Há muitos debates, entre os historiadores, sobre os significados do passado. Desde as primeiras pesquisas, surgem as perguntas sobre o que fazer com tantas aventuras e desencontros. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><em><img class="alignnone" src="http://4.bp.blogspot.com/_9_GiIBJ6AAY/R1CJm0dSMuI/AAAAAAAABd0/UHuANxJ7o04/s1600-R/sentimento+.jpg" alt="" width="425" height="361" /></em></p>
<p><em>Memória: o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez</em>. Essa afirmação do escritor Paul Auster, no seu instigante livro A Invenção da Solidão, sempre me acompanhou. Há muitos debates, entre os historiadores, sobre os significados do passado. Desde as primeiras pesquisas, surgem as perguntas sobre o que fazer com tantas aventuras e desencontros. Aparece, também, a indagação crucial sobre o valor da existência. Recordar para quê? O que ensina o vivido? O que procuramos? Há um sentido em cada leitura, um descanso das atribulações do presente? Tudo inquieta, mas dá ânimo para instituir interpretações. Portanto, deixa a turbulência se balançar no trapézio.</p>
<p>O mundo contemporâneo pede atenção para uma sequência enorme de novidades. Não há condições. Os olhares se gastam. Temos necessidade de silêncios, introspecções, conversas íntimas. Imaginar o passado provoca nostalgias e comparações. É uma ameça, para quem costuma fixar hierarquias e se apaixona pelos feitiços do progresso. Gosto de pensar o diálogo e não a supervalorização de um certo instante. Nem sempre, o crescimento físico traz boas afetividades. A questão da idade possui paradoxos e nos chama para refazer aprendizagens. Querer fixar calendários é impor regras ao inesperado, festejar a mesmice.</p>
<p>Auster tem razão. A memória sacode as lembranças, formata esquecimentos. Não adianta cercá-las de teoremas científicos, elucidar seu vaivém. Existe mais do que a segunda vez. Há momentos que colam, mudam de significados, porém mostram rostos e paisagens conhecidas, vistas inúmeras vezes. O espelho da memória não é uma fotografia imóvel. Será que existe a imobilidade? Heráclito continua ditando suas reflexões? O que fica são as aparências, as sombras, as fantasias? A filosofia vai longe na busca de definir o real e o imaginário. Castoriadis, Freud, Platão, Dilthey e tantos outros agitariam o texto com opiniões e pergunta múltiplas. Não precisa de sofisticação acadêmica. No cotidiano, os exemplos e as dúvidas divulgam aflições e descobertas.</p>
<p>A memória é lugar de reencontro e de negações. Sua caminhada não é a de revelar verdades definitivas. Fustiga o dito e o não dito. Auster move-se no tempo e nos ajuda a animar o debate: <em>Sua vida já não parecia mais habitar o presente. Toda vez que via uma criança, tentava imaginar como pareceria quando crescesse. Toda vez que via uma pessoa velha, tentava imaginar como teria sido quando criança.</em> A memória joga com a vida, brinca com seus tempos, é uma invenção poderosa<em>.</em></p>
<p>A sociedade incomoda-se com infortúnios, mas, muitas vezes, queima suas tradições sem observar o valor da experiência. Vivemos catalogando e classificando, aproveitando os armazéns tecnológicos. A acumulação não tem fim, firma disputas políticas e financeiras. Há quem se coloque como dono do que passou. Não faltam elaborações intelectuais dogmáticas. No romance de Auster, temos elaborações incríveis que fogem do lugar comum. A cultura não é um amontoado de coisas expostas numa vitrine pública. Se não sabemos atribuir significados às construções da história, aprofundamos o desfazer da memória e da experiência. A solidão não se afasta do ir e vir de cada  existência. Não é uma fatalidade.</p>
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	if (button) {
		button.onclick = function(e) {
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		<title>A morada dos homens</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 10:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
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A morada abraça a história de cada um com uma ternura
quieta e desassombrada.
Ela é como um cais, oceânico e amoroso
que guarda os cheiros das travessias dos seus corações.
A morada de cada homem esconde o que se desfaria no mundo
de fora, silencia os ruídos incômodos do dia,
desfigura os fantasmas dos pesadelos da noite.
A morada de cada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="https://lh4.googleusercontent.com/-Mat8CpR-6k4/TWuMgi5O0DI/AAAAAAAAH4Q/IGLAzgON-zg/casa1.gif" alt="" width="412" height="349" /></p>
<p style="text-align: center;">A morada abraça a história de cada um com uma ternura</p>
<p style="text-align: left;">quieta e desassombrada.</p>
<p>Ela é como um cais, oceânico e amoroso</p>
<p>que guarda os cheiros das travessias dos seus corações.</p>
<p>A morada de cada homem esconde o que se desfaria no mundo</p>
<p>de fora, silencia os ruídos incômodos do dia,</p>
<p>desfigura os fantasmas dos pesadelos da noite.</p>
<p>A morada de cada homem não encobre seu corpo,</p>
<p>mas o torna invisível quando a dor o adormece.</p>
<p>Sabe que a medida da vida é apenas um sopro sem asas.</p>
<p><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><img class="alignnone" src="http://opiniaoweb.com/portal/wp-content/uploads/2008/05/casa.gif" alt="" width="400" height="300" /></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 14pt;"><span style="font-family: Times New Roman;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span></span></span></p>
<a href="http://www.facebook.com/share.php?u=http%3A%2F%2Fwww.astuciadeulisses.com.br%2Findex.php%2F2012%2F02%2F17%2Fa-morada-dos-homens%2F&amp;t=A%20morada%20dos%20homens" id="facebook_share_button_7316" style="font-size:11px; line-height:13px; font-family:'lucida grande',tahoma,verdana,arial,sans-serif; text-decoration:none; display: -moz-inline-block; display:inline-block; padding:1px 20px 0 5px; margin: 5px 0; height:15px; border:1px solid #d8dfea; color: #3B5998; background: #fff url(http://b.static.ak.fbcdn.net/images/share/facebook_share_icon.gif) no-repeat top right;">Share</a>
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		<title>Beliscões, ordem, beijos, folia&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 10:12:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[acontecimentos]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[controle]]></category>
		<category><![CDATA[cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
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		<description><![CDATA[
Sou um observador do cotidiano. Acho seus detalhes fundamentais para quem apreciar as histórias. Não só nos aspectos acadêmicos, mas nas experiências de vida, nas diferenças de hábitos. As pessoas procuram vivê-lo enganando os sufocos e procurando ânimos. Portanto, nem sempre me empolgo com os grandes acontecimentos. Desconfio das manchetes que vendem  jornais. Os tempos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://scrap.mixplanet.com.br/imagens/beijos/orkut-hi5-myspace-beijo_(177).gif" alt="" width="400" height="300" /></p>
<p>Sou um observador do cotidiano. Acho seus detalhes fundamentais para quem apreciar as histórias. Não só nos aspectos acadêmicos, mas nas experiências de vida, nas diferenças de hábitos. As pessoas procuram vivê-lo enganando os sufocos e procurando ânimos. Portanto, nem sempre me empolgo com os grandes acontecimentos. Desconfio das manchetes que vendem  jornais. Os tempos midiáticos pedem sensacionalismos, não custa medir suas intenções. A fama enlouquece, diminui vidas, desfigura criatividades. Os exemplos são muitos. As redes sociais se enchem de fotos e lamentos quando alguma estrela morre, como a Igreja beatifica seus seguidores mais admiráveis. É uma confusão de valores, onde predomina o império da velocidade, com suas artimanhas.</p>
<p>Cada um arruma seu lugar, sofre com as perdas badaladas e, às vezes, esquece que há desgovernos, na sua própria vida, frequentes e profundos. Não há sociedade sem regras, rituais, rebeldias. Não faltam estudos sobre o comportamento e suas singularidades. O difícil é encontrar harmonias, franqueza, entrelaçamentos afetivos. A encenação garante a eficácia do disfarce. Expomos intimidades na internet, escondemos desigualdades e sacudimos o humor. Tudo isso faz parte da sociabilidade, da tentativa de aliviar o cansaço e esvaziar a mesmice. No entanto, as armadilhas existem, pois não há competição sem desenganos ou delírios.</p>
<p>O aprendizado está em todo lugar, traz a vida com suas cores. Numa das minhas caminhadas pelo bairro, ouvi atento a uma mãe perguntar para o filho pequeno: Você beslicou alguém na escola? Observei o desenrolar. A criança foi evasiva, não quis firmar clareza, sabia que a conversa podia engrossar. Não conheço os atores mencionados, mas a ordem estava em jogo , sinal de que as regras se movimentam, podem fixar o desenho da dominação, mesmo nos gestos mais comuns. Assim, se constrói o controle. Família e escola são instituições de valia, para manter as tradições.</p>
<p>( Já leu alguma entrevista de Fellini sobre o poder da escola? Ele é um crítico radical). Sobram, então, indagações: Como viver sem essas instituições num mundo voltado para a intensidade do trabalho produtivo? Com estruturar a ordem sem escolher limites e acioná-los? Ninguém nega que existe o outro, mesmo que não seja parceiro das suas atitudes. A diversidade não impede que haja momentos de conciliar desejos e rever lembranças. Qual o significado de um beliscão? Quais os critérios da educação pública? Quem  os determina? Por onde anda a política que abominava o pragmatismo e denunciava os desmantelos de forma consistente?</p>
<p>A sociedade de consumo não é uma exceção. Outras sociedades viveram conflitos e glórias. Nem tudo é do reino da disciplina. Chega o Carnaval e inquieta.Um voo na quebra de costumes, na exaltação da alegria, na louvação da soltura. São instantes passageiros, com amplas repercussões na comunidade, no cerco das vaidades e dos projetos. De repente, há o retorno aos escritórios frios,  às fábricas distantes, aos  <em>shoppings </em>das vitrines programadas. É gangorra da vida, do beliscão ao beijo roubado ou curtido. A sociedade não vive sem sentimentos, mesmo que eles obedeçam a calendários e marquem cartografias de incerteza. Não adianta agonia. O tempo passa.</p>
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		<title>Os anúncios das tensões contínuas e gerais</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 10:13:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[poder]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[pragmatismo]]></category>
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		<description><![CDATA[
As recentes greves mostram que a sociedade está inquieta. É uma questão básica. A imprensa dá grande destaque, criam-se assombrações, o medo se espalha. Mas, muitas vezes, não se toca no cerne da rebeldia. Como funcionam as relações de poder? As análises deixam de lado as desigualdades construídas historicamente. Limita-se ao agora, não se interessa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://2.bp.blogspot.com/_CirZiJY_PYo/TL36AJpN8II/AAAAAAAAB74/4FpEvOGfSJw/s1600/violencia-jogo.jpg" alt="" width="401" height="312" /></p>
<p>As recentes greves mostram que a sociedade está inquieta. É uma questão básica. A imprensa dá grande destaque, criam-se assombrações, o medo se espalha. Mas, muitas vezes, não se toca no cerne da rebeldia. Como funcionam as relações de poder? As análises deixam de lado as desigualdades construídas historicamente. Limita-se <em>ao agora</em>, não se interessa em perceber que há permanências tradicionais. As distâncias salariais são gigantescas, os que ganham mais possuem privilégios. Eles conseguem aumentar seus rendimentos que estão longe de se parecerem com o salário mínimo. Basta observar as Assembléias Legislativas, o somatório das suas gratificações. Isso não fica esquecido. Faz parte das indignações.</p>
<p>Os vencimentos dos policiais são, realmente, vergonhosos. Correm perigos, vivem na corda bamba, sentem os desgovernos cotidianos, portam armas e se defrontam com as violências de forma direta. Então, o sentimento não poderia ser de sossego. O fio está esticado. Diante dos contrastes, sobram inconformismos, além de denúncias que os colocam em alerta. Portanto, o limite que os sustenta é frágil e o convívio com a morte transforma a vida num suspense. O emocional é desprezado, quando se ressalta a objetividade das quantidades e das aventuras da grana. Tudo está entrelaçado, incomoda, merece olhares mais cuidadosos. A tensão é imensa, porque o problema ultrapassa as versões sensacionalistas. A cabeça e o coração não comportam só números.</p>
<p>É importante fugir da superfície. O sistema é competitivo, não é, apenas, um mercado de objetos atraentes. As pessoas se entusiasmam com o poder de compra, contudo se frustram ao ver que a acumulação não é a garantia da felicidade. Se há desprezo pela segurança, o mesmo ocorre com a educação. Os valores ficam soltos, parecem preços, esvaziam a construção de uma ética que incentive compartilhamentos. Mais uma vez, a questão salarial volta ao cenário. Os professores recebem pouco, lutam para que surja uma luz no fim do túnel. As políticas públicas não convencem, trazem desconfianças contínuas.</p>
<p>Sem se valer de teorias complexas para explicações acadêmicas, também, se visualizam as contradições. Os lucros bancários são fabulosos. Até Dilma Rousseff se espantou com tanta facilidade para ganhar dinheiro. Pediu medidas de controle. Tudo isso, fermenta tensões. Não estamos na era das revoluções. As trilhas políticas seguem rumos pragmáticos. Falta mesmo reflexão, valoriza-se o imediato. Nem mesmo os grevistas entram na especulação maior das lutas e há um esvaziamento que impede articulações mais consequentes. Os interesses corporativos terminam invadindo os lugares de negociação. Prevalece o individualismo tão comum aos fazeres capitalistas.</p>
<p>Não é fácil navegar por esses mares turbulentos. Os sinais de alerta ligados provocam todos. Os desencontros acompanham a sociedade globalizada, avançam por terrtórios privados. Pensar o futuro, tentar enquadrá-lo, sempre foi um risco. Na velocidade do mundo atual, fica difícil definir o que é futur. O descartável é soberano. O amanhã já nasce velho, o espetáculo das novidades não cessa. Se antes se lamentava a força da tradição, hoje se lamenta a falta de pertencimentos. A confusão atiça confrontros,desmanancha sentidos, configura barbáries. Não há como imobilizar as tensões. Resta comprendê-las, sem desenhar máscaras.</p>
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		<title>O Carnaval chega cedo e revira tudo</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Feb 2012 10:20:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[
O Carnaval  tem data marcada na agenda anual. No entanto, na prática ele começa quando animação se completa para valer e o verão esquenta os corpos e os desejos. Não é festa de sossegos. Quem entra na sua folia perde-se no tempo. Ele ajuda a ver como os limites entre a transgressão e a ordem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://www.geledes.org.br/images/stories/2012/carnaval_2012.jpg" alt="" width="450" height="338" /></p>
<p>O Carnaval  tem data marcada na agenda anual. No entanto, na prática ele começa quando animação se completa para valer e o verão esquenta os corpos e os desejos. Não é festa de sossegos. Quem entra na sua folia perde-se no tempo. Ele ajuda a ver como os limites entre a transgressão e a ordem são relativos. Existem os que acham o Carnaval um desperdício. Lamentam a agitação, a invasão da privacidade. Por isso, nunca deixarão de haver controvérsias, descontentamentos. Mas a grande multidão não formula maiores indagações. Sacode a alegria, comemora a possibilidade dos excessos, fica triste quando tudo passa como um cometa.</p>
<p>A população aumenta. A questão da segurança torna-se mais complexa. Não falta tensão, inquietações da polícia, investimentos contínuos de grandes patrocinadores. Uma festa que rende, concentra poderes midiáticos, corta monotonias e aciona esquecimentos. Muitas cores, sons, criatividade, amizades efêmeras, ruas lotadas. Fazer previsão sobre seus andamentos não tem sentido. Quem brinca guarda seus cuidados, porém olha para a soltura com mais atenção. Há, também, os espectadores que preferem observar e se assombram com a intensidade do frevo. O fermento é especial e o entusiasmo aceso, com muita energia. O Carnaval tem tradições históricas. Não fica parado, contudo, no passado.</p>
<p>Muitos dizem que a vida do trabalho sério só começa depois das celebrações de fevereiro. Não é exagero. Ninguém aguenta uma disciplina rigorosa por muito tempo. Quem não gosta de respirar com folga? Portanto, a cultura se faz com invenções e quebras. As festas trazem certo descontrole. É  melhor do que mergulhar no totalitarismo das burocracias dominantes. É incrível o ir e vir das multidões. Há violências, desrespeitos, incoerências. É muita gente misturada, muita máscara e fantasia, na prática e não, apenas, na especulação. Profetizar um Carnaval cartesiano é desconhecer o humano, cair na melancolia dos que não sabem visualizar e aprender com os contrastes.</p>
<p>As ambiguidades constroem as relações sociais. Nada existe com simetria absoluta. As lacunas passeiam pelo mundo, mesmo que incomodem. Por que esperar do Carnaval atmosferas acadêmicas? Não se praticam tantos absurdos na gestão do poder público? Não se fala tanto em crime organizado, em negociações subterrâneas? As práticas culturais podem ser exemplares, mas, também, colocam dúvidas nas teorias e nas éticas. O inesperado não sai da história. apesar das formas de disciplina, da repressão articulada pela tecnologia das informações secretas. Cabe analisar os momentos e os significados do agir humano. O Carnaval de 2012 não seria, jamais, o Carnaval de 2001.</p>
<p>O capitalismo não se esconde da folia. Espalha suas mercadoria, aproveita as oportunidades com ajuda dos meios de comunicação. Não preciso muita reflexão para sentir o quanto o consumo se dirige para produtos específicos, com a grana das grandes corporações que anunciam a liberdade da alegria. O Carnaval possui espaços de <em>show</em>, não fica restrito aos blocos, às orquestras de rua. Tudo se toca. Não é aquele som único. O espetáculo conta com interesses políticos. Quer atrair, convencer, justificar apoios, aproveitando as animações gerais. O Carnaval descarta costumes conservadores, porém não foge dos esquemas da sociedade programada.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Michelangelo: os sentidos da criação</title>
		<link>http://www.astuciadeulisses.com.br/index.php/2012/02/13/michelangelo-os-sentidos-da-criacao/</link>
		<comments>http://www.astuciadeulisses.com.br/index.php/2012/02/13/michelangelo-os-sentidos-da-criacao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 10:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>
		<category><![CDATA[sentido]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.astuciadeulisses.com.br/?p=7992</guid>
		<description><![CDATA[
Não evite o sentido, mas não acredite nele.
Há muitas invenções circulando pelo mundo,
Procurando pertencimentos nos paraísos anônimos.
Culpe a preguiça pelos descuidos e desconcertos.
Pense na geometria dos deuses  e dos exilados.
Acorde  os mitos  para  que eles interpretem a vida.

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	]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://www.historianet.com.br/imagens/conteudo/michelangelo7.jpg" alt="" width="350" height="222" /></p>
<p style="text-align: center;">Não evite o sentido, mas não acredite nele.</p>
<p style="text-align: center;">Há muitas invenções circulando pelo mundo,</p>
<p style="text-align: center;">Procurando pertencimentos nos paraísos anônimos.</p>
<p style="text-align: center;">Culpe a preguiça pelos descuidos e desconcertos.</p>
<p style="text-align: center;">Pense na geometria dos deuses  e dos exilados.</p>
<p style="text-align: center;">Acorde  os mitos  para  que eles interpretem a vida.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/Pieta_de_Michelangelo_-_Vaticano.jpg/250px-Pieta_de_Michelangelo_-_Vaticano.jpg" alt="" width="250" height="262" /></p>
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		<title>Não pense, apenas, no sonho do paraíso(II)</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 10:13:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antonio Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[desgoverno]]></category>
		<category><![CDATA[harmonia]]></category>
		<category><![CDATA[ilusão]]></category>
		<category><![CDATA[incompletude]]></category>
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A perigosa e famosa ideologia do progresso nos acenou com a ideia de um tempo que avança e pode trazer vantagens sociais profundas. Teve repercussões imensas. Mascarou muitos desmandos. Vestiu-se com as roupas da tecnologia para vender benefícios. Esqueceu as ambiguidades que compõem a sociabilidade. Criar um mundo de harmonias configuradas, radicalmente, é uma ilusão. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://undergroundassembleiano.files.wordpress.com/2011/07/amor-de-deus.jpg" alt="" width="300" height="300" /></p>
<p>A perigosa e famosa ideologia do progresso nos acenou com a ideia de um tempo que avança e pode trazer vantagens sociais profundas. Teve repercussões imensas. Mascarou muitos desmandos. Vestiu-se com as roupas da tecnologia para vender benefícios. Esqueceu as ambiguidades que compõem a sociabilidade. Criar um mundo de harmonias configuradas, radicalmente, é uma ilusão. Insistir na incompletude não é um vício teórico. O cotidiano nos mostra como possuímos lacunas e os desejos atiçam astúcias para não perdermos o ânimo. Portanto, conviver com as frustrações não é anomalia. A  história estica-se, olha o futuro, conversa com o passado. O fascínio do progresso assumiu o feitiço da industrialização e estimulou a expansão do capitalismo.</p>
<p>O tempo é o sucedido desgovernado, com afirma Guimarães Rosa. Hierarquizá-lo, sem reflexão, engana. Não há homogeneidade, apesar de toda burocracia da sociedade informatizada. Os calendários são históricos, pois respondem as questões de cada época. Sófocles ficaria perplexo morando num apartamento na Av. Copacabana. Nietzsche se inquietaria com 0 barulho intenso da Av. Paulista. A invenção do tempo exige conversas, não fica só nas artimanhas do eu. Não é estranhe que, no século XXI, existem pessoas que mergulhem nos comportamento do século XVIII. As curvas balançam o humano de forma constante.</p>
<p>É saudável imaginar o paraíso, desenhar utopias. Sem fantasia não se vive. No entanto, também é saudável saber os caminhos e suas sinalizações. Há distrações, porque não é possível se arrastar com a dor e amargas  decepções. Se não houver idas e vindas, a cultura não sobrevive. Daí, o risco de consagrar o progresso ou a euforia desenvolvimentista. O desgoverno está ligado aos limites, não é incomum. Ele se torna ameaçador quando apaga a ética e concentra privilégios. Mas ele também ensina, tem sua pedagogia, administra as vacilações do corpo e do sentimento, desde que , coletivamente, se busque superação e solidariedade.</p>
<p>O poder não é, apenas, esfera do público, do resultado das eleições, das manobras partidárias. O poder está em toda parte, até mesmo no território da afetividade. Basta observar as relações entre pai e filho, criança e adulto. Os sopros da dominação não cessam, nem tampouco o discurso do vencedor, cheio de arrogância e verdades ditas permanentes. Por isso, deixar-se levar pelos mandamentos do progresso, riscar a memória, firmar atualizações com se presente tivesse soberania merece amplas suspeitas. A história está não engessada, nem aponta para uma só direção. Ela é amiga das travessuras dos trapézios e das tristezas dos palhaços.</p>
<p>A luta política espalha-se pelo mundo. Não é única, não pede estratégias comuns. Move-se pelas cidades da Bolívia é muito diferente de move-se pelas cidades de Israel. Nem haveria, aqui, espaço para expressar as multiplicidades que nos cercam. Não conseguimos avistá-las de forma segura. Agimos, muitas vezes, por suposições. A objetividade seca é mesquinha, não se aproxima do anjo torto que acompanha o humano. Separar mentiras de verdades é pular abismos. O drama e a trama se entretecem, com sutilezas e sem linearidades. Quando legitimamos as exatidões e a quantidade, escondemos a incompletude.</p>
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