Jair: ressentimentos vadios?

Jair provoca polêmicas diárias. Suas falas remetem a preconceitos, tumultuam projetos de reformulação do meio ambiente, exalta as andanças da violência, fere sensibilidades e reforça seus parceiros na construção da ruína. Não surgiu do acaso. Encontrou uma sociedade com polarizações seculares, cheia de desigualdades e mágoas confusas. Tudo servia para atiçar ressentimentos e derrubar sonhos de quem desenhava solidariedades. Ele apareceu na turbulência, mirou o discurso da salvação, se aproveitou da onda moralista, dos escorregões dos chamados esquerdistas. Criou um clima de animação política marcado pela necessidade de vingança.

Contou com ajudas, senti a queda de antigos ídolos e apostou numa sincronia de desgovernos. Trazia frustrações, queria superar passados, armou-se com suas afirmações bombásticas, Consegui se tornar um mito, uma figura quase divina, com a benção de religiões desejosas de espaços de poder. Encontrou-se com a fúria de capitalistas indignados com as ações petistas. Lula tem admiradores, inquieta, promete, porém foi alijado da disputa principal. Não saiu de cena. Jair se cansa de acusá-lo dos desgovernos, sacudindo suas pérolas contra os mais pobres, desprezando os intelectuais, se cercando de ministros com ideias esquisitas. Diverte-se?

A repercussão das ações de Jair assustam, porém mantém uma plateia significativa. Não é difícil estimular o fanatismo quando a fragmentação caminha firmando perplexidades. Não se deve individualizar as idas e vindas da história. Jair segue articulando , comove, agride, não se afasta do barulho. Há protestos internacionais, reações na França, tentativas de denunciá-lo como curtidor do fascismo. Tudo isso gera debates, danças entre o bem e o mal. Quem está preso ao sagrado? Quem subestima o profana? Quem visualiza o suicídio da utopia? Será que o vazio abre espaço para multiplicação da tolice?

As dúvidas se movem, o tempo foge, as apostas atacam os discursos políticos. As permanências das agressividades assombram. Quem comunga com Jair, sabe que o fogo se espalha. É sempre fundamental que a sociedade conviva com disputas. Jair está no meio delas. Intimida, convoca seu simpatizantes que enaltecem a cor amarela. A divisão é grande, o sossego não existe, a luta está na rua, no desengano, nas orações dos que temem. Numa sociedade carente de autonomia, não é incomum que os paternalismo se propaguem e misturem memórias. Jair se aproveita dos espantos, faz recuos enganadores. Não se esqueça das aventuras dele no passado. Os ídolos arrogantes não bebem no acaso e não negam a força do pragmatismo.

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