Kadafi fica, o Galo sai, o Carnaval fervilha

Kadafi continua sua estratégia persistente. São 41 anos de poder.Exibicionista, aproveita tudo para mostrar firmeza, pelo amor a Líbia. A violência traz sua marca. Não respeita o mínimo princípio da democracia. Suas aparições públicas são seguidas de discursos extensos e nacionalistas. Seu narcismo é exemplar. Sua riqueza se encontra bem guardada em bancos poderosos. Assim, comportam-se os senhores autoritários, com a conivência de potências e a dubiedade de órgãos internacionais. O petróleo garante sucesso e gira os negócios. O sossego fica para os incompetentes. 

A Tunísia prepara eleições. O Egito promete resolver suas inquietações. Haverá mudanças, no concerto político do Oriente Médio. É uma região marcada por conflitos e disputas tradicionais. Cerca de 200 mil pessoas já fugiram da Líbia. Temem os delírios de Kadafi. O transtorno é grande. A mobilização, para acolhê-las, coloca questões pendentes e ninguém sabe o rumo que tomarão. Há ameaças de novas guerras. A ONU não se mantém como líder, depende das pressões norte-americanas. O próprio Obama fica solto no trapézio. As ambiguidades não abandonam o território da história.

Mas nem tudo é desmantelo político e perplexidade. O Carnaval se anuncia, infatigável e dionisíaco. Liga-se ao ânimo do folião. Muitas fantasias trazem máscaras que ironizam os senhores da dominação globalizada. A alegria é a palavra de ordem , mesmo que venha depois de muita cerveja. Os lucros são crescentes. Vendem-se ilusões, alugam-se casas, organizam-se espetáculos. Tudo cabe. Há jazz, samba, frevo, rock … O que vale é badalar o conteúdo do multicultural. Surgem polêmicas. Nem todos simpatizam com o modelo consagrado, pela propaganda oficial. Patrocínio não falta.

As polícias aproveitam as necessidades de ordem, para comunicar a possibilidade de greves e o rumor de insatisfações na tropa. Criam-se tensões, pois o Carnaval é quente e não acontece sem as multidões. Os palcos são muitos. Brinca-se com o fôlego que vem de toda parte. Com sol ou chuva, a festa não se intimida. Os negócios funcionam no ritmo das danças. Cada lugar possui seu valor de troca. Quando chega a quarta-feira, as contas são feitas e as gripes justificam as faltas ao trabalho.

O Galo da Madrugada sai com a imponência de sempre. O maior bloco do mundo atrai artistas e políticos. Quem não gosta de curtir as delícias de camarotes com mordomias? A cidade fica repleta  de visitantes. Atores de novelas procuram as ruas, mas querem o brilho das páginas de jornais. Revelam seus amores pelo Carnaval. Algumas pessoas se programam, numa aceleração incrível. Sábado, no Recife, domingo, em Salvador, e o resto dos dias no Rio de Janeiro.  

As fofocas disparam e as roupas desenham as formas mais ousadas dos corpos. Ronaldinho, o Gaúcho, estará firme no samba, para a euforia da torcida do Flamengo. Afirmou que assitirá ao Carnaval, em companhia da sua família, vinda do Sul. Nunca mais se lembrou de jogar um futebol decente, porém é  mestre em se aproveitar das situações. Tudo passa, até mesmo as ressacas e as paixões. Kadafi não cede. O mundo arde, com divertimentos e desesperos. A folia é o paraíso ou o fogo simbólico do desamparo?

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>